sábado, 21 de janeiro de 2012





Quando Azita Rafhat, uma ex-parlamentar afegã, prepara as suas filhas para a escola de manhã, ela veste uma delas de forma diferente.
Três meninas usam roupas brancas e cobrem seus rostos com véus. Mas Mehrnoush, a quarta menina, veste terno e gravata. Na rua, Mehrnoush não é mais uma menina, e, sim, um rapaz chamado Mehran.
Azita Rafhat não teve filhos homens, e para evitar as provocações que famílias assim sofrem no Afeganistão, ela tomou a decisão radical de mudar a criação de Mehrnoush.
Esse tipo de atitude não é incomum no país. Existe até mesmo um termo - Bacha Posh - para meninas que são vestidas como garotos.
"Mesmo que você tenha uma boa posição no Afeganistão e está bem de vida, as pessoas veem você de forma diferente (se não tiver um filho homem). Elas dizem que a sua vida só é completa se você tem um filho", diz Azita.
Sempre houve preferência por meninos no Afeganistão, por motivos tanto econômicos quanto sociais.
O seu marido, Ezatullah, acredita que ter um filho é um sinal de prestígio e honra.
"As pessoas que nos visitavam sempre diziam: 'Oh, lamentamos que vocês não têm um filho.' Então imaginamos que seria uma boa ideia vestir nossa filha assim, já que ela também queria."
Economia
Muitas meninas vestidas de rapazes andam pelas ruas no Afeganistão. Algumas famílias optam por esse caminho para permitir que elas consigam empregos em lugares públicos, como em mercados, já que mulheres não podem trabalhar na rua.
Elaha passou anos vivendo como menino, mas na universidade voltou a se vestir como mulher
Em alguns mercados de Cabul, um grupo de meninas, com idade entre cinco e 12 anos, se apresenta como meninos e vende água e chiclete. No entanto, nenhuma quis dar entrevista sobre o assunto.
A tradição não dura por toda a vida. Aos 17 ou 18 anos, as jovens voltam a assumir uma identidade feminina. Mas essa mudança não é nada simples.
Elaha mora em Mazar-e-Sharif, no norte do Afeganistão. Ela viveu como menino por 20 anos, porque sua família não tinha filhos homens. Apenas há dois anos, quando entrou na universidade, é que ela passou a se vestir como mulher.
No entanto, ela ainda não se sente totalmente feminina. Alguns de seus hábitos não são típicos de garotas, e ela diz que não pretende se casar.
"Quando eu era criança, meus pais me vestiam de menino porque eu não tinha um irmão. Até recentemente, vivendo como menino, eu saia para brincar com outros garotos e tinha mais liberdade."
Contra sua própria vontade, ela voltou a viver como mulher, e diz que só aceitou voltar porque se trata de uma tradição social. No entanto, ela se diz revoltada com a forma como as mulheres são tratadas pelos seus maridos no Afeganistão.
"Às vezes, eu tenho vontade de me casar e bater no meu marido, só para compensar a forma como as outras mulheres são tratadas em casa."
Um saudita colocou o próprio filho à venda na rede social Facebook. O valor pedido por Saud bin Nasser Al Shahry -- 20 milhões de dólares -- seria para oferecer "uma vida digna para a mulher e a filha em vez de viver na pobreza", conforme noticiou o diário saudita Al Sharq, citado pelo portal emirates247.com. O anúncio do empresário saudita traz uma foto sua e do filho na rede social Facebook. De acordo com o jornal, Saud bin Nasser Al Shahry decidiu tomar a medida extrema após o negócio que mantinha ser fechado depois de uma decisão judicial, que declarou sua empresa ilegal. Ele chegou a pedir ajuda para as autoridades locais, mas não teve sucesso. Como o tráfico de crianças na Arábia Saudita é considerado um delito, e não um crime, o jornal especula se o anúncio da venda do garoto poderia ser uma tentativa de Saud bin Nasser Al Shahry chamar a atenção e conseguir de outra forma o dinheiro. O governo saudita é frequentemente criticado por fazer pouco para prevenir o tráfico de pessoas. Em 2009, a Arábia Saudita adotou um pacote de medidas rigorosas para combater o tráfico de crianças e também colabora com o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e outras entidades em campanhas de conscientização.







http://www.punctum.asia/






http://www.wowlavie.com/
A Coreia do Norte lançou um site de seu jornal em inglês na internet, em aparente tentativa de ampliar sua voz na comunidade internacional. A notícia foi divulgada ontem pelo sul-coreano "Korea Times", segundo a revista americana "Slate". A iniciativa foi associada ao momento de transição política na Coreia do Norte. Kim Jong-un assumiu o poder após a morte do pai, Kim Jong-il, em 17 de dezembro. Trechos deixam entrever um pouco da visão de mundo que o governo incute em seus cidadãos. Na nota "Fenômeno Natural Peculiar", de 25 de dezembro, lê-se: "Neve misteriosa caiu no monte Paektu nos dias 18 e 19. Mas o céu estava limpo, sem nuvens. Moradores disseram que Kim Jon-il era um homem santo e que o céu derramava lágrimas por sua partida".
Ignorando os protestos de cineastas iranianos e ativistas de direitos civis, o Ministério da Cultura do Irã dissolveu formalmente na quarta-feira (11) a Casa de Cinema, a única organização doméstica que apoia o cinema independente, a substituindo por um comitê que não se desviará das diretrizes islâmicas rígidas e dos assuntos políticos permitidos.
A medida do Ministério da Cultura, informou a agência de notícias semioficial “Fars”, parece refletir a tomada quase completa pelos agentes políticos linha-dura de todos os segmentos do governo iraniano, que parece isolado e sitiado em muitas frentes.
Fundada há 20 anos, a Casa de Cinema tem mais de 5.000 membros e cuida de uma série de sindicatos ligados ao cinema no Irã. Ela atua na proteção dos interesses financeiros e direitos criativos deles, de modo que o fim do órgão, se não for revertido, poderá quebrar e silenciar o último canal autônomo remanescente no Irã para expressão artística visual.
A ordem de dissolução coincidiu com um elogio sem precedente para um filme iraniano produzido independentemente, “A Separação”, que tem recebido muitos prêmios e é um favorito na entrega do Globo de Ouro neste fim de semana em Los Angeles. Há comentários de que o filme, que descreve o fim de um casamento, também será um favorito no Oscar.
A ordem formal do Ministério da Cultura ocorre uma semana após o primeiro anúncio do fechamento da Casa de Cinema, que despontou como um farol discreto de apoio ao movimento Verde de oposição e a outras vozes políticas desde a contestada eleição presidencial de 2009 e da repressão aos opositores do governo. A decisão, baseada na visão do ministério de que a Casa de Cinema tinha uma licença inválida para funcionar, foi adiada devido a uma audiência do Ministério da Justiça, marcada para quarta-feira.
Mas, em um desdobramento inusitado, consultores legais do ministro da Cultura, Mohammad Hosseini, decidiram na terça-feira (10) que não havia necessidade para uma audiência. Como eles concluíram que a licença da Casa de Cinema era inválida, argumentaram os consultores, não havia base legal para discussão em uma audiência.
Portanto, disse a “Fars” ao anunciar a decisão final, “o Ministério da Cultura emitiu uma ordem para dissolução da Casa de Cinema, que agora será executada”.
Houve uma confusão inicial na terça-feira, quando alguns defensores da Casa de Cinema acharam que a audiência tinha sido cancelada porque o Ministério da Cultura tinha retirado sua queixa. Mas, quando a dura realidade ficou clara, eles reagiram furiosamente.
Shirin Ebadi, uma ativista dos direitos da mulher e premiada com o Nobel que atualmente vive no exílio, escreveu em uma carta aberta à Organização das Nações Unidas que o fechamento deveria ser adicionado à lista das violações de direitos humanos do Irã, atualmente sob investigação.
“Instituições civis e profissionais são as ferramentas da democracia”, ela escreveu na carta, divulgada pela “Radio Zamaneh”, uma emissora e site de oposição. Particularmente desde a eleição de 2009, ela escreveu, “várias organizações profissionais e cívicas de jornalistas, escritores, estudantes, trabalhadores e motoristas de ônibus foram fechadas, e o exemplo mais recente é a Casa de Cinema”.
Todos os membros da Casa de Cinema, ela escreveu, “condenam a decisão de fechamento pelo governo”.
Hadi Ghaemi, o diretor executivo da Campanha Internacional pelos Direitos Humanos no Irã, um grupo de defesa em Nova York, disse que a decisão do Ministério da Cultura mostra que “o governo iraniano persegue sistematicamente as associações independentes cujo trabalho não necessariamente segue a narrativa do Estado”.
O diretor administrativo da Casa de Cinema, Mohammed-Mehdi Asgarpur, argumentou que o único modo dela ser fechada seria por ordem judicial, e não ficou claro na quarta-feira como, ou se, o comitê administrativo da Casa de Cinema buscaria uma ação legal.
Os membros do comitê ameaçaram boicotar o anual Festival Internacional de Cinema de Fajr, o evento cinematográfico mais importante do Irã, programado para ocorrer daqui poucas semanas. A Casa de Cinema realizava seu próprio festival, a Celebração do Cinema do Irã, todo mês de setembro.
No festival Fajr do ano passado, onde “A Separação”, do roteirista e diretor Asghar Farhadi, foi exibido pela primeira vez, ele conquistou os principais prêmios, e posteriormente conquistou quase três dúzias de outros. Apesar de oferecer um retrato duro da vida arruinada de uma família iraniana, ele não é um filme político. Em uma entrevista para o “New York Times” em dezembro, enquanto viajava pela América do Norte com seu filme, Farhadi o chamou de uma história não sobre o Irã, mas sim sobre “as dificuldades de relacionamento entre as pessoas”.
Farhadi já lidou com a censura. As autoridades iranianas suspenderam a produção do filme em 2010, depois que ele expressou apoio público aos cineastas iranianos presos e exilados. Ele foi autorizado a retomar o trabalho apenas depois de pedir desculpas, dizendo que seus comentários foram mal interpretados.
Ao ser perguntado sobre suas esperanças em relação a esses colegas em uma entrevista publicada no mês passado pela “Filmmaker Magazine”, ele disse: “Eu ainda desejo que todo cineasta possa fazer o filme que deseja, livremente”.