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sábado, 21 de janeiro de 2012
Contrariando as objeções de diplomatas ocidentais e grupos de direitos humanos, as forças de segurança do Iraque estão cada vez mais ocupando as ondas aéreas com demonstrações dramáticas de como reprimem o terrorismo, usando prisioneiros - na maioria sunitas - como pano de fundo para discursos e confissões transmitidas pela TV estatal.
Para as autoridades iraquianas, as exibições de prisioneiros são uma espécie de volta da vitória, refutando acusações de que a polícia e o Exército não conseguem sufocar a insurgência.
Mas para muitos ocidentais os rituais são provocativos e até ilegais, sintomas de uma justiça manchada politicamente que ainda conta com confissões, muitas coagidas, assim como com evidências físicas apesar dos milhões de dólares em ajuda americana e programas de treinamento jurídico.
As exibições de prisioneiros também acentuam as tensões políticas e sectárias que mergulharam o governo do Iraque no caos imediatamente após a retirada militar americana em dezembro. Quando autoridades do governo liderado por xiitas anunciaram um mandado de prisão contra o vice-presidente sunita, Tariq al Hashimi, exibiram confissões em vídeo de três guarda-costas que acusaram Hashimi de dirigir um esquadrão da morte contra adversários políticos e policiais.
As autoridades iraquianas disseram que as confissões eram uma prova da culpa de Hashimi. Mas os políticos sunitas as viram como um ataque usando a mídia estatal para desacreditar e depor um político sunita.
"Exibir pessoas acusadas de crimes na televisão ou transmitir confissões é uma violação do processo legal", disse um especialista ocidental em direito internacional que levantou essas preocupações junto a autoridades iraquianas.
Especialistas jurídicos disseram que as estratégias de mídia do governo podem violar os tratados internacionais assinados pelo Iraque, que estabelecem os direitos básicos de criminosos.
Ibrahim al Sumaidaie, um analista político, disse que transmitir por rádio ou TV as confissões viola as regras de processo legal da Constituição do Iraque e é uma reminiscência de como Saddam Hussein manipulava a mídia noticiosa para intimidar seus inimigos e denunciar complôs contra seu governo.
"É um crime colocar isso na TV", disse Sumaidaie. "É uma vergonha, e é um legado do ex-ditador. Quem exibe essas confissões consegue dividir a população entre xiitas e sunitas."
Mas as autoridades iraquianas geralmente refutam as críticas.
"Se dissermos que prendemos o líder da Al Qaeda, quem vai acreditar?", disse o major general Adel Daham, do Ministério do Interior. "Isto é para mostrar credibilidade. Estamos agindo certo."
Em uma entrevista coletiva memorável em novembro passado, autoridades iraquianas fizeram dúzias de suspeitos de terrorismo marcharem por um auditório com viúvas e órfãos que choravam.
Enquanto as câmeras rodavam, mulheres vestidas de preto segurando fotografias dos maridos, irmãos e filhos mortos pediam a execução dos suspeitos. As crianças gritavam e choravam. Algumas pessoas atiravam sapatos.
"Então o mundo verá."
Com sua coreografia sensual e figurinos provocantes, as cinco integrantes da primeira girl band de Mianmar estão ampliando os limites do que é artisticamente aceitável neste país socialmente conservador.
Mas quando seus pais as telefonam, perguntando por que ainda não voltaram para casa às 22h, as meninas da banda voltam correndo para suas vidas de filhas obedientes.
"Vivemos duas vidas distintas", disse Lung Sitt Ja Moon, conhecida sobre o palco como Ah Moon e filha de um pastor batista. "Fazemos o que fazemos sobre o palco e depois voltamos para casa, para nossos pais."
A banda é chamada Me N Ma Girls, uma alusão a "Mianmar girls". Elas enfrentam pais conservadores, um órgão de censura e namorados que acham um ultraje o fato de subirem ao palco em figurinos tão minúsculos.
Mianmar, a antiga Birmânia, está emergindo de anos de isolamento e governo militar ditatorial. À medida que o país vai lentamente descobrindo o caminho de retorno ao mainstream asiático, a velha Mianmar da arte sancionada pelo governo e dos sarongues até os tornozelos está sendo contestada pela perspectiva de mais entretenimento, roupas e estilos de vida de inspiração ocidental.
"As pessoas pensam que, se uma moça veste algo sexy demais, ela não é normal, que ela não presta", explicou Ah Moon.
As integrantes do Me N Ma Girls não se enxergam como rebeldes, mas simbolizam a tendência da geração jovem do país de aderir à cultura pop ocidental.
A banda foi criada pela dançarina australiana Nicole May, que foi para Mianmar três anos atrás e escolheu a dedo cinco mulheres entre as 120 candidatas que responderam a um anúncio.
As garotas do Me N Ma Girls, todas com pouco mais de 20 anos, enfrentam problemas que seriam estranhos para a maioria dos pop stars ocidentais. A eletricidade é cortada com frequência em um dos lugares onde ensaiam. Os censores fazem objeções diversas: no ano passado as integrantes da banda foram proibidas de usar perucas coloridas. Mas o processo é facilitado pelo pagamento de "gorjetas" aos censores.
"A gente se esforça para ser sexy, mas não demais", disse outra moça da banda, Wai Hnin Khaing. As garotas cantam histórias de amor, dor e encontro de moças e rapazes, que são mal recebidas numa sociedade em que os filhos vivem com seus pais até o casamento.
As cinco cantoras são formadas na universidade química, zoologia, matemática, russo e ciência da computação.
Sua fama crescente no setor da música do Mianmar ainda não se traduziu em sucesso financeiro. Há pouco tempo, Lalrin Kimi, cujo pseudônimo é Kimmy, não tinha dinheiro para o ônibus. Mesmo assim, as garotas querem fazer sucesso fora de Mianmar.
"Quero que esta banda fique famosa e seja globalmente conhecida. Quero que chegue até Hollywood!", falou Su Pyae Mhu Eain, cujo pseudônimo é Cha Cha.
As experiências de Cha Cha com um namorado inspiraram uma canção cujo refrão diz "você é mentiroso!". O vídeo da canção foi filmado em Bancoc no final do ano passado. "Eu me senti livre lá", falou Kimmy. "Podíamos vestir o que queríamos. Não precisávamos nos preocupar com os outros."
Enquanto isso, elas querem ensaiar sem interrupções paternas. Num ensaio da banda até depois da meia-noite, outra integrante da banda, Htike Htike Aung, recebeu uma mensagem de texto de sua mãe. "Lembre que você ainda tem pais!" dizia a mensagem. "Ligue para mim, filhinha!".
A Bajaj Auto, mais conhecida por fabricar motos e triciclos motorizados ("tuk-tuks"), nem chama o seu mais novo produto, o RE60, de carro. A Bajaj (nenhuma relação com o repórter) prefere chamá-lo de quadriciclo.
Os executivos dizem não ter planos para comercializá-lo aos consumidores em geral. Seu alvo são os choferes dos "tuk-tuks", que geralmente têm motores de moto e funcionam como táxis para corridas curtas.
O RE60 tem recursos geralmente ausentes nos atuais modelos de riquixás motorizados, como cintos de segurança, portas duplas e capota rígida.
Ele terá janelas, mas que deverão ser dobradas, em vez de rolarem para baixo.
A Bajaj não revela o preço do RE60. Um "tuk-tuk" custa cerca de 120 mil rupias (US$ 2.200), e um analista do setor estimou que o RE60 deverá custar 25% a mais do que isso, ou cerca de US$ 2.750.
Mas esperava-se que o RE60 fosse mais do que um "tuk-tuk" incrementado. Ele era aguardado como a resposta da Bajaj ao modelo Tata Nano.
O Nano, lançado em 2009 pela Tata Motors, foi apresentado como um carro popular que levaria mobilidade às massas da Índia. Ele custa US$ 2.600.
No país, choferes de "tuk-tuks" geralmente ganham cerca de US$ 100 por mês. Dirigem por horas nas ruas caóticas, sem nenhuma segurança ou conforto.
Para o analista Hormazd Sorabjee, o RE60 não será uma ameaça ao Nano, que, aliás, atraiu apenas uma pequena fração da clientela que a Tata esperava, por causa de atrasos na produção e de questões de segurança.
"Depois de ver o RE60, você percebe que feito fenomenal é o Nano", disse Sorabjee, editor da revista automobilística "Autocar India". O RE60 "não chega nem perto de ser um carro de tamanho completo, o que o Nano é".
Mas os executivos da Bajaj sugeriram que a intenção era essa -fazer o melhor veículo possível, em vez de produzir uma maravilha de engenharia que talvez não se adequasse à vida real.
"Na Bajaj Auto, acreditamos que as pessoas deste planeta merecem algo muito melhor e muito mais rápido", disse Rajiv Bajaj, diretor-executivo da empresa, no que pareceu ser uma indireta deliberada contra o Nano.
"Nós, portanto, decidimos focar nossos esforços em desenvolver veículos movidos por motores que usem os recursos naturais e a infraestrutura disponíveis."
Bajaj disse que o RE60, equipado com um motor de um cilindro com 200 cc, rende 35 km/l e tem velocidade máxima de 70 km/h.
"
Suran Singh, 40, que há 26 anos guia um "tuk-tuk", disse que as portas e a capota rígida seriam ruins nos abrasadores verões de Nova Déli.
"Este é melhor para dirigir no calor, porque é de tecido", disse ele, apontando para a coberta verde e amarela do seu "tuk-tuk". "Em Déli faz calor no verão, e vamos ficar derretendo de suor dentro de um carro.
O governo indiano quer processar 21 sites de relacionamento que estariam promovendo a "inimizade entre classes e causando prejuízo à integração nacional". Entre eles, estão as redes sociais Google, Yahoo e Facebook. Autoridades levaram à Justiça indiana evidências como fotos e ilustrações do primeiro-ministro Manmohan Singh, com Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso, em ângulos comprometedores. Também há imagens de porcos correndo rumo a Meca, cidade sagrada para o Islã. A iniciativa mostra a dificuldade do país em conciliar a liberdade da internet com a cultura local. As empresas devem comparecer à corte em março.
O caráter ácido das relações entre Israel e a União Europeia se deve às críticas desta última à ocupação dos territórios palestinos e à política sistemática de colonização efetuada pelo governo de Binyamin Netanyahu. A ira das autoridades israelenses foi atiçada recentemente por vários relatórios europeus que condenam o recrudescimento das construções na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, as agressões cometidas pelos colonos, bem como o tratamento considerado discriminatório da minoria árabe israelense (20,5% da população de Israel).
Por falta de um consenso dentro da UE, esses documentos raramente são publicados, o que não impede sua divulgação, cedo ou tarde. É o caso de um estudo europeu a respeito da marginalização e da exclusão crescente dos palestinos da Zona C, parte do território que representa 62% da Cisjordânia e, onde, segundo os Acordos de Oslo (1993), Israel exerce um controle total no plano da segurança, e quase completo em se tratando de questões civis.
O relatório anual dos cônsules gerais alocados em Jerusalém, entregue na sexta-feira (13) a Bruxelas, condena com o mesmo vigor a deterioração da situação dos palestinos na parte oriental da Cidade Santa, e recomenda à Comissão Europeia que considere respostas legais para que acabem com os investimentos europeus nas colônias judaicas, o que extraoficialmente equivale a rejeitar produtos das colônias.
Como no ano passado, essas conclusões não serão adotadas, uma vez que vários países europeus, a começar pela Holanda, pela Alemanha, pela Itália e pela República Tcheca, são tradicionalmente contra qualquer condenação oficial de Israel. Precauções que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, não se preocupou em ter, no sábado, durante sua passagem por Beirute.
“A ocupação por Israel dos territórios árabes e palestinos deve cessar. As colônias, novas e antigas, são ilegais. Elas dificultam o nascimento de um Estado palestino viável”, insistiu Ban Ki-moon.
O secretário-geral da ONU se pronunciou no dia em que os negociadores palestinos e israelenses se encontravam em Amã. Suas discussões se revelaram tão estéreis quanto as dos dois encontros anteriores, nos dias 3 e 9 de janeiro.
O relatório europeu ressalta que eram 1.200 colonos na Zona C em 1972, depois 110 mil em 1993, e 310 mil (sem contar os cerca de 200 mil colonos que se assentaram em Jerusalém Oriental) hoje, ou seja, mais que o dobro da população palestina (150 mil).
Na Zona C, os colonos estão distribuídos entre as 124 colônias chamadas “oficiais”, ou seja, construídas com a anuência das autoridades israelenses, e cerca de cem postos avançados, ou seja, pequenas implantações não autorizadas constituídas, dependendo dos casos, de trailers, caravanas, ou até algumas tendas.
“A janela para uma solução de dois Estados está se fechando rapidamente, com a expansão contínua das colônias e as restrições de acesso para os palestinos na Zona C”, observa o relatório.
Mas a política de colonização não é a única ferramenta à disposição de Israel para substituir a presença dos palestinos com a de colonos: a área das “zonas militares fechadas” e das “reservas naturais” não para de crescer, ao passo que as destruições e as demolições de estruturas que pertencem a palestinos continuam.
Se a constatação dos europeus não é exatamente nova, mais inesperada é a longa lista de recomendações que visam apoiar custe o que custar a presença palestina na Zona C, através de medidas que favorecem a irrigação, a construção de estradas e diferentes tipos de infraestrutura, como escolas, hospitais, etc. Implicitamente, os europeus estão defendendo a intensificação de uma política que vai contra àquela instaurada por Israel nessa parte da Cisjordânia.
A constatação feita pelos 27 países-membros da UE para a parte oriental de Jerusalém constitui outro alerta. “Ela exprime um sentimento de urgência”, resume um diplomata europeu, “frente a uma nítida deterioração da situação dos palestinos, quer se trate da colonização, das expulsões, das destruições de casas, e de maneira geral, da degradação de suas condições de vida, devido sobretudo à violência crescente dos colonos. Esse relatório diz que é preciso agir, e que um dos meios é lutando contra o financiamento dos produtos das colônias’.
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