segunda-feira, 28 de setembro de 2009
TRIVANDRUM, Índia Antes de entrar no ringue, as mulheres curvaram as cabeças até o chão, como se estivessem entrando em um tempo. Então, a filha do dono de uma loja de doces soltou um gancho de direita. A garota baixinha de Calcutá saltou e se abaixou, como um gafanhoto movido a anfetaminas; ela deixara de ir ao casamento de sua irmã para poder lutar. O som de luva chocando-se com luva ecoou entre as paredes da academia.Num país onde as mulheres enfrentam muitos obstáculos, algumas jovens se preparam para dar socos num palco ilustre. O Comitê Olímpico Internacional acrescentou o boxe feminino aos Jogos de Londres de 2012, após intensa campanha da Índia."É meu sonho que está se realizando", disse Mangte Chungneijang Merykom, 27, mais conhecida como Mary Kom. Ela é a pugilista mais aclamada da Índia e a maior esperança indiana no esporte. Desde 2001, quando a Associação Internacional do Boxe lançou os campeonatos mundiais femininos, ela detém o recorde, com quatro medalhas de ouro.Contando com relativamente pouco apoio do governo, as indianas vêm apresentando desempenho surpreendente nos campeonatos mundiais. A maior concorrente da Índia é a China.Para as mulheres que treinam numa academia patrocinada pelo governo na extremidade sul da Índia, o boxe representa um novo tipo de liberdade.Hema Yogesh, 16, filha de um plantador de especiarias, fugiu de casa para participar de seu primeiro acampamento de boxe.
Inicialmente, seu pai ficou furioso. Mas ela não demorou a levar para casa sua primeira medalha de ouro de uma competição estadual. Hema conta que seu pai chorou. Hoje, ele quer que ela compita internacionalmente. O boxe lhe ensinou a ter coragem e ambição, disse Hema. Como a maioria das garotas da academia, Hema vê o boxe como o bilhete de ingresso numa vida de classe média. O governo indiano recompensa atletas com cobiçados empregos no funcionalismo público, geralmente na polícia ou nas ferrovias.Perguntaram a Hema como seria sua vida sem o boxe. Fazendo careta, ela respondeu que teria sido obrigada a ficar em casa, cuidando das vacas de sua família.A ascensão do boxe feminino se dá em meio a grandes mudanças na vida das indianas comuns. Preeti Beniwal, 22, pugilista de Hisar, no norte do país, constatou as mudanças em sua própria família. No tempo de sua mãe, para que pudessem ter chances de um bom casamento, as mulheres precisavam saber tricotar e cozinhar. Hoje, disse ela, a mulher mais cobiçada é aquela que é capaz de ganhar a vida sozinha.Beniwal vê o boxe como o caminho para sua independência. Ela sabe o que a espera no caso de não fazer sucesso no esporte. "Se a gente fracassar neste campo, precisa saber fazer o trabalho primeiro da mulher", disse ela. Ou seja: ser esposa e mãe.Mary Kom está entre as atletas mais valorizadas da Índia atualmente. Ela tem um emprego vitalício na polícia e já recebeu uma série de troféus e honras lucrativos, incluindo o maior prêmio esportivo do país, o Rajiv Gandhi Khel Ratna, que veio acompanhado de quase US$ 15 mil.Para chegar a isso, ela teve que travar várias lutas pessoais. Kom saiu de casa aos 17 anos para frequentar um centro de treinamento esportivo do governo. Ela suplicou ao treinador de boxe que lhe deixasse entrar no ringue."Ela era tão pequena que eu disse 'não'", contou o treinador, L. Ibomcha Singh. Lágrimas rolaram pelo rosto de Mary Kom. O treinador cedeu.Kom manteve o boxe em segredo, sem deixar sua família saber -até ganhar um campeonato estadual, em 2000, e todo o mundo, incluindo seus pais, descobrir o que ela vinha fazendo. Seu pai lhe pediu que desistisse, dizendo a ela que o boxe era perigoso demais. Os membros de seu clã desaprovavam. Os rapazes de sua cidade zombavam dela. Mas Kom aguentou firme. Ela se recorda de ter pensado: "Um dia vou mostrar a vocês quem eu sou".Uma medalha se seguiu a outra. Depois veio o casamento e, então, mais pressões para desistir de lutar."Meu pai me falou: 'Ok, agora você deixa o boxe. Você já está casada'." Ela resistiu. Seu marido, K. Onkholer, ex-jogador de futebol, ficou do lado dela.Hoje, o casal administra uma academia esportiva improvisada em sua própria casa, em Manipur, em parte como meio de manter os adolescentes locais longe de problemas. Situada nas montanhas que fazem fronteira com Mianmar, Manipur é conhecida pelo tráfico de drogas e a insurgência armada; crianças e adolescentes são atraídos para as duas coisas.O próximo desafio de Mary Kom será chegar às Olimpíadas de 2012. Pesando no máximo 45 quilos, ela vem lutando na categoria mosca ligeiro. Para competir nas Olimpíadas pela precisa pesar no mínimo 48 quilos, a mais baixa das três categorias de peso fixadas para mulheres."Vou rezar a Deus para manter meu corpo em forma", disse ela. "Se meu corpo estiver em forma, poderei fazer qualquer coisa."
Seus rostinhos solitários aparecem nos anúncios, envergonhados e procurando por um amor."Oi, meu nome é Musti", diz um cartaz. "Sou um educado, bonito e respeitoso. Preocupo-me com a saúde e adoro cenouras. Sou um homem de uma só mulher e prometo cuidar bem de você."
E lá está Foster, com sua papada e olhos cobertos por pálpebras espessas. "Foster se recusa a comer até que encontremos uma namorada para ele!", diz o cartaz
Na Índia obcecada por matrimônios, onde o casamento é um evento central da vida de uma pessoa, esses cartazes poderiam ser facilmente de solteirões de pequenas cidades em busca de amor, pressionados pelos pais ansiosos por uma noiva.
Porém, a moça adequada que esses solteiros procuram é peluda e quadrúpede. Encontrá-la, no entanto, não é fácil.
"Tenho procurado por meses, mas sem sorte", disse Kunal Shingla, que busca uma parceira para Foster, seu basset hound de dois anos.
A elite de Nova Déli há muito tempo aprecia cães de raça pura. Com mais indianos se tornando parte da classe média, ter um cão pomerânio, shih tzu ou mastim napolitano preso à coleira virou um símbolo de nova riqueza e status.
Diferente dos vira-latas de quintal do passado, esses cães, como os mimados bichos de estimação de ocidentais abastados, são parte da família. Com indianos jovens de classe média esperando mais tempo para se casar e ter filhos, e com os pais impacientes para terem netos, cães de pedigree preenchem um vazio criado pela realidade da vida urbana moderna.
"Hoje as famílias são menores, apenas marido e mulher, que não têm ninguém com quem conversar", disse Partha Chatterjee, um conhecido jurado de exposições de cães na Índia. "Eles têm acesso a todos esses programas de televisão em que podem ver como os cães são tratados no exterior. E também desejam esse tipo de símbolo de riqueza."
Porém, os cães da emergente classe média indiana têm um problema. Todos, ao que parece, desejam um cão macho. E por se tratar da Índia, todos também querem que seu cão tenha uma companheira. A esterilização simplesmente está fora de questão.
"Ele é um bom cachorro", disse Shingla, um próspero executivo de marketing que trabalha na fábrica da família, referindo-se a Foster. "Quero que ele tenha toda a felicidade em sua vida."
Há três meses, ele colocou anúncios com a foto de Foster de língua para fora em pet shops de toda Nova Déli, e em fóruns populares de bichos de estimação, buscando por um basset hound fêmea. Mas não teve nenhum retorno.
A preferência dos indianos por cães machos é em parte o resultado de uma preferência social ao sexo masculino, dizem criadores. Em algumas regiões da Índia, os filhos são muito mais valorizados do que as filhas. Tal fato é refletido na razão desequilibrada de meninos e meninas em alguns estados, evidência de aborto ilegal de bebês do sexo feminino, uma prática ainda disseminada.
Também existe a percepção, falsa em grande parte, de que fêmeas dão mais trabalho do que machos por causa de seus ciclos menstruais. Além disso, no passado, quando a maioria das pessoas tinha cães para tomarem conta da casa, a percepção de que os machos eram mais agressivos dava a eles uma vantagem.

Sandeep Chopra, cuja empresa, Classic Kennels, fornece cães para pet shops do país inteiro, disse que pessoalmente preferia fêmeas por seu temperamento dócil. Já seus clientes são outra história.
"Quando um cliente compra um cão, 99% adquirem um macho e, posteriormente, quando precisam de uma companheira, eles encontram problemas", Chopra disse.
Ele tentou montar uma agência de encontros canina, relacionando machos e fêmeas da mesma raça, mas era simplesmente impossível encontrar combinações. Segundo ele, a maioria das fêmeas permanece com criadores profissionais, que preferem cães procriadores. Isso também mantém a oferta de raças populares limitada -- se as pessoas não conseguirem gerar filhotes em seus quintais, elas não cortarão os lucros dos criadores.
Raças específicas entram e saem de moda. O buldogue pug é a sensação do momento. A Vodafone, uma empresa de celular, colocou um dos cães de rostinho enrugado em uma popular campanha publicitária. O envergonhado bichinho do anúncio, com suas orelhas pontudas, papo enrugado e cabeça alegremente inclinada, fez com que o preço de um filhote de buldogue pug subisse para mais de US$ 400.
Vidushi Sinha, atriz de 23 anos, amava sua cadela, Betsy, o filhote de uma vira-lata da vizinhança. Mas há alguns anos, sua mãe viu um filhote de buldogue pug em um pet shop que fez seu coração derreter. "Ele era tão fofo", Sinha disse.
Eles chamaram o filhote de Julian. Ele ainda é adorável, Sinha disse, mas a família rapidamente descobriu as desvantagens de ensinar um macho a fazer xixi no lugar adequado.
"Machos levantam a pata em qualquer lugar", ela disse. E agora há outro problema: Julian gosta de ser amoroso com móveis e pessoas -- de modo mais íntimo do que muitos gostariam.
Por isso, há um ano, ela colocou um cartaz em um mercado de luxo em Nova Déli. Houve algumas ligações de retorno, mas até agora nenhuma parceira deu certo.
"Já arrumei duas ou três namoradas e ele não se interessou", ela disse. "Acho que ele já está comprometido. Não há motivo para procurar por uma namorada porque ele já tem um namorado. Ouvi dizer que muitos desses cães pequenos são gays."
Julian se apegou muito a outro buldogue da rua chamado Chotabhai, que significa irmão caçula em hindi. "Eu não me incomodo", Sinha disse, com um tom de resignação indiferente em sua voz. "Contanto que ele esteja feliz."

sexta-feira, 25 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
NATIONALO KIDO
Seu pai vai ficar feliz com essa notícia. É que a Focus Filmes vai lançar em dezembro uma caixa de DVDs de National Kid, um dos mais famosos super-heróis japoneses de todos os tempos. Fez muito sucesso no Brasil nos anos 70.Segundo o site Jbox, os vinte primeiros episódios seráo lançados com a dublagem feita na década de 90 e não com a original. É que o personagem voltou ao ar nos anos 90 na TV Manchete.O National Kid foi um dos primeiros seriados japoneses a chegar por aqui. Ele enfrentava os vilões Incas Venusianos. É clássico total. 
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