segunda-feira, 8 de outubro de 2012









A prioridade dada pelas autoridades de Pequim às novas tecnologias e ao crescimento das marcas locais está as levando a acentuar o combate ao "shanzhai", a cultura da falsificação que tanto assusta as indústrias ocidentais. Como aconteceu anteriormente com seus vizinhos, os tigres asiáticos, é o fim da imitação que se anuncia. Na torre ainda metade vazia de uma zona industrial de Shenzhen, no sudeste da China, os escritórios da Visture não têm nada de Vale do Silício. As janelas dão para as gruas do porto comercial. Estamos bem longe de Cupertino e da sede da Apple. Tampouco se aproximam dos 70 mil funcionários da empresa da maçã em todo o mundo. A Visture emprega seis engenheiros e dez gerentes de vendas. Mas aqui também se fazem tablets, em um cenário mais sóbrio e em condições modestas. A Visture é o exemplo típico dessas empresas que copiam descaradamente as grandes marcas. Na China, isso se encontra todos os setores, desde o telefone mais moderno até o whisky. Recentemente, a Visture percebeu que alguma hora ela precisará se tornar uma marca para durar. Seus tablets lembram muito os da Apple, mas o grupo está tentando firmar seu próprio nome e valorizar as características técnicas de seus produtos, que agora não ficariam nada a dever aos concorrentes mais respeitáveis. A Visture nem tem o mesmo cliente-alvo, que seria mais o consumidor emergente, aquele que ainda só entra na loja da Apple para olhar. A sociedade de consumo também alimenta nele seus desejos. Só falta oferecer um produto que corresponda à sua renda. "Os menos ricos também querem gastar. Quando Steve Jobs morreu, eles ouviram falar em tablets o tempo todo na televisão, e foi ali que decidiram que também precisavam de um", se justifica Lencho Lee, um dos jovens gerentes da empresa. Com esse sonho por produtos que permanecem inacessíveis para a maioria, o risco era deixar que outros preenchessem esse vazio, fazendo cópias. O alvo da Visture são os chineses de renda intermediária. Em comparação com o resto do país, eles não são nem ricos, nem pobres: "O operário migrante não pode comprar nosso tablet, é metade de sua renda mensal", garante Lencho Lee. Eles são funcionários de escritório ou estudantes. A linha da Apple está sempre fora de alcance para esse nível de salário, mas por que não se o preço for menos da metade? É o que a Visture vem fazendo, com um produto que não deve ultrapassar os US$ 200 (cerca de R$400). Os custos de pesquisa e de desenvolvimento são mínimos. Enquanto a Samsung e sua grande concorrente brigam para determinar que patente pertence a quem, os gerentes da Visture pinçam nas ideias dos outros, em total impunidade, na China. De qualquer forma, a equipe acredita ser pequena demais para que os advogados da gigante californiana gastem suas energias implicando com eles.
O último modelo tem um aspecto muito parecido com o da Apple e no website também anunciam o produto "V4 is here", como se o tablet da Visture também causasse uma comoção mundial. A versão V2 era disponível em preto e branco. Os botões ficam no mesmo lugar. A operação não é cara, 200 mil yuans (R$ 65.250) pelo desenvolvimento do produto, 60% no "soft" e no "hardware" e 40% para fabricar o molde. Nem cogitam construir fábricas, uma vez que a montagem será feita de forma terceirizada e as peças são disponibilizadas pelo intermediário de toda uma cadeia de abastecimento presente na região, sobretudo em Dongguan, uma cidade-fábrica a algumas dezenas de quilômetros de lá.
"É claro, ele lembra o iPad, é preciso se inspirar nos concorrentes", reconhece abertamente Lencho Lee. No entanto, o tablet não traz o logo da maçã, o que o distingue da falsificação pura e simples, e funciona com o Android, o sistema operacional do Google. De qualquer forma, é o registro menos definido juridicamente do shanzhai - literalmente "forte na montanha" - uma maneira de essa indústria e a subcamada de consumidores ignorados pelas grandes multinacionais à qual ela se destina se colocar em oposição ao sistema. Ela também inova, à sua maneira. A ideia não é criar um produto absolutamente inédito, o que seria impossível financeiramente, mas sim dar esses pequenos toques de novidade a essa zona cinzenta. Pensando, sobretudo, nas expectativas desse consumidor não exatamente rico: alto-falantes integrados para o operário migrante que quiser ouvir música em seu dormitório após uma longa jornada de trabalho ou entrada para dois chips, um pessoal, outro profissional. "As grandes marcas não fazem isso, pois têm contrato com as operadoras. As independentes podem se permitir isso", explica Lee. Alguns, como Sean Kao, pesquisador no Instituto de Informação sobre a Indústria em Taiwan, chegam a identificar um modelo de inovação das empresas shanzhai. Isso porque a inovação não vem somente de cima. Mesmo essa subcasta de consumidores deve ser satisfeita da melhor forma possível - à altura daquilo que pagaram - em um ambiente hipercompetitivo onda cada centavo conta. Essas empresas se colocam mais perto do cliente para entendê-lo, respondem ao mercado de maneira extremamente fluida e encontram um nicho lançando testes, uma vez que os custos de desenvolvimento são baixos. Elas conseguem reduzir os gastos em todas as frentes, seja na qualidade dos materiais, no marketing, na certificação ou nos impostos. Elas sabem se integrar à cadeia industrial pré-existente com uma surpreendente flexibilidade, praticam uma espécie de guerrilha selvagem, onde as multinacionais são exércitos bem organizados, dando assim lugar a uma guerra industrial assimétrica. No entanto, a China sabe perfeitamente que não é seguindo o rebanho que se tornará a primeira, e está em discussão essa tendência de se inspirar em pesquisas efetuadas por outros. Entre as metas estabelecidas pelo governo central em março de 2011 em seu plano de ação para os cinco próximos anos, se encontram a pesquisa e a elevação da escala de valor industrial. Até 2016, Pequim promete ter 3,3 patentes para cada 10 mil chineses. Muitas empresas chinesas estão tentando passar por um ponto de virada, com elas mesmas inovando. A Lenovo ou a Huawei ambicionam, com o tempo, concorrer com a sul-coreana Samsung usando seus próprios nomes. Será preciso proteger esses novos competidores. A China, portanto, será forçada a acabar com esses métodos um tanto casuais. Tanto que as imitações de bolsas Louis Vuitton são somente a parte mais visível do problema, que tem atingido cada vez mais as empresas chinesas. Boa parte dos produtos falsificados na China afetam marcas locais, como a cerveja Tsingtao, e muitas vezes representam uma ameaça em termos de saúde pública. Ademais, o enriquecimento do consumidor chinês e a complexização dos produtos que lhe são apresentados atiram na direção da qualidade, como se constata na Visture. Assim tem andado o mercado de celulares, no qual os produtos shanzhai já estão em recuo. Segundo certas estimativas, o mercado do celular em 2012 teria diminuído 30% em relação a 2011, com a chegada do smartphone e do 3G. Fazer uma ligação com um telefone falso não era exatamente problemático, em compensação navegar na internet é mais desagradável quando o teclado é lento e o aparelho falha. Ao mesmo tempo, as marcas legítimas estão se voltando para esses consumidores emergentes, percebendo, com razão, que agora na China até os menos ricos têm alguma coisinha para gastar. Ao contratar um plano na China Mobile, maior operadora do mundo, o cliente poderá comprar um smartphone de qualidade e de marca por 500 yuans (R$ 156), menos que a imitação de um iPhone. “As fabricantes chinesas têm uma política de preço muito agressiva”, constata Sabrina Ren, analista de escolhas de consumidores nas telecomunicações da GFK. Então alguns copiadores estão tentando passar para o lado legítimo. É o caso da Gionee, uma empresa que por um tempo produziu telefones shanzhai e desde então conseguiu se reciclar, impondo sua marca e chegando ao top 20 do mercado chinês. Se lhes é oferecida qualidade, os chineses agora estão dispostos a comprar produtos chineses, sendo que durante muito tempo eles não deram nenhum crédito às indústrias locais. Assim, em setembro de 2011 eles correram para comprar o primeiro modelo do Xiaomi, cujo fundador, Lei Jun, pretende vender a um preço razoável um smartphone que não teria do que se envergonhar frente aos concorrentes projetados na Coreia do Sul ou nos Estados Unidos. Idem para o setor automobilístico, complexo o bastante para que as marcas chinesas por muito tempo tenham se contentado em fazer “engenharia reversa” como pesquisa e desenvolvimento: desmontar o veículo para ver como é feito, e depois tentar copiá-lo. Lançado em 2003, o Cherry QQ tinha uma infeliz semelhança com o Chevrolet Spark, exceto pelos resultados no teste de impacto. Tanto que a General Motors na época demonstrou que as portas eram intercambiáveis. Quase uma década depois, os automóveis chineses ainda estão bem atrás de seus concorrentes americanos ou alemães na mente do consumidor, mas a indústria agora entende que é melhor desenvolver seus próprios modelos e progredir na segurança do que falsificar. Outros permanecem no território da cópia, mas estão pensando no futuro. “As marcas shanzhai têm hoje um desejo de construir suas próprias estratégias de inovação”, diz Sabrina Ren. “Os tempos estão mudando, o consumidor pode se informar sobre a qualidade do produto olhando o que dizem nos fóruns de discussão na internet, antes de comprar”. As empresas estão percebendo que somente os produtos que proporcionam uma experiência de uso satisfatória ao cliente podem sobreviver. “Mesmo com o shanzhai é preciso melhorar a qualidade, senão o cliente não volta”, constata Lencho Lee, da Visture. É por isso que o jovem profetiza o fim da imitação. “As pessoas agora querem qualidade. Em breve será o fim da cópia. Para as roupas, para os carros, para tudo”, diz Lencho Lee. Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço... O website de sua empresa é quase idêntico ao da Apple, e traz a insolente menção “Todos os direitos reservados”.



Um serviço diferente começou a ser oferecido no bairro de Akihabara, o mais descolado de Tóquio, capital do Japão. Por cerca de R$ 120, é possível alugar uma mulher para dormir junto.
E ela só vai dormir mesmo. Nada de servicinhos sexuais no pacote. No máximo, pagando um extra, ela pode fazer cafuné até que o cliente durma.
O "Soine-ya" não é uma ideia original, mas é o único serviço deste tipo no Japão.
Mesmo para os japoneses, a ideia do "Soine-ya" parece ser meio estranha. Muitos acham que o serviço oferecido transforma a mulher em um mero objeto.
Assim mesmo, os donos do " Soine-ya" dizem que o negócio está indo muito bem. Sinal que tem muita gente carente precisando de uma atenção especial no Japão.
Por toda a Índia, pequenos auto-riquixás de três rodas transportam pessoas e bens de um lugar para outro, andando em meio ao tráfico ao lado de ônibus, carros, táxis, caminhões e motos em Nova Déli. Em janeiro, os primeiros auto-riquixás movidos a hidrogênio do mundo tomaram as ruas internas de Pragati Maidan, o amplo centro de exposição no leste da capital. Os 15 auto-riquixás azuis adaptados, que antes usavam uma fonte de energia convencional, ainda proporcionam a mesma viagem barulhenta e ventosa -e em uma recente volta, o motorista buzinando por reflexo produzia orgulhosamente o mesmo barulho de doer os ouvidos que pode ser escutado por toda a Índia. Mas há diferenças críticas. O escapamento emite vapor de água, calor e quase nenhuma outra emissão. O corpo é adaptado para transportar um tanque de gás hidrogênio; o motor e seu sistema de injeção foram modificados, e um sistema de controle eletrônico foi instalado, desenvolvido pelos pesquisadores do Instituto Indiano de Tecnologia, em Déli. Mesmo assim, eles se reabastecem em um posto da mesma forma que os auto-riquixás comuns se abastecem com gás natural comprimido, por meio de bombas e mangueiras com bicos especiais. O uso do hidrogênio para transporte está em sua infância, mas muitos esperam que esses auto-riquixás sejam um passo para a redução da dependência de combustíveis fósseis nos países em desenvolvimento, onde os veículos motorizados contribuem para a poluição do ar. Hidrogênio limpo, eficiente e naturalmente abundante tem o potencial de "facilitar a transição para um futuro de baixo carbono, da mesma forma que o petróleo e o motor de combustão interna tomaram o lugar do carvão e do motor a vapor", disse o Centro Internacional para Tecnologias da Energia do Hidrogênio, um projeto da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial e do governo turco. Também há a promessa de segurança em energia. Segundo um relatório do Departamento de Energia dos Estados Unidos, "o hidrogênio oferece o potencial de longo prazo de um sistema de energia que produz quase nenhuma emissão e é baseado em recursos domesticamente disponíveis". Os auto-riquixás a hidrogênio de Déli são o resultado de um projeto de três anos envolvendo uma série de parceiros, incluindo a agência de desenvolvimento da ONU, que financiou metade do custo de mais de US$ 1 milhão. Contribuições em espécie vieram de parceiros como a fabricante indiana de veículos automotivos Mahindra, que forneceu os auto-riquixás, e a Air Products, uma empresa de energia com sede na Pensilvânia que forneceu uma bomba de reabastecimento de hidrogênio no centro de exposição e know-how técnico.
Apesar de a frota inicial ser modesta, até um milhão de veículos a hidrogênio podem ser colocados nas ruas da Índia até 2020, disse Bibek Bandopadhyaya, um conselheiro do Ministério das Energias Novas e Renováveis indiano. Essa meta parece altamente ambiciosa, diante dos desafios para expansão mundial da tecnologia, ainda mais na burocrática Índia. Ainda assim, diante da demanda urgente por energia -movida pelo crescimento econômico, aumento do número de veículos e piora da poluição do ar- a Índia está explorando todas as opções de energia alternativa e renovável, com vários graus de sucesso. A necessidade por energia limpa está pressionando a Índia, onde as grandes cidades estão envoltas em uma poluição sufocante. A Índia ficou 125º lugar entre 132 países pesquisados para o Índice de Desempenho Ambiental 2012 das universidades de Yale e Colúmbia nos Estados Unidos, que mede a poluição do ar e outros indicadores. O país foi o terceiro maior emissor do mundo de gases do efeito estufa no ano passado. O hidrogênio é considerado uma espécie de santo graal dos combustíveis, mas há desafios substanciais para o seu desenvolvimento. "Carros a célula de combustível e hidrogênio seriam uma revolução, e as revoluções precisam de fortes motivadores. Ainda não existem fortes motivadores, mas se os preços do petróleo subirem o suficiente, eles podem surgir", disse John Heywood, professor emérito de engenharia mecânica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que é especializado em motores de combustão interna. Os maiores obstáculos para a expansão são o acesso a hidrogênio suficiente, falta de uma rede de distribuição e o custo relativamente alto em comparação a outros combustíveis. Apesar de o hidrogênio ser naturalmente abundante, ele deve ser separado de outros elementos por meio de processos atualmente caros, intensivos em energia. É feito para fins industriais, como a produção de fertilizante ou refino de combustível, mas não é produzido para consumo em massa. Há pouca infraestrutura para transportá-lo e os postos de abastecimento são poucos. O hidrogênio também carrega um estigma de risco associado ao desastre do dirigível Hindenburg de 1937 e à bomba de hidrogênio. Mas na verdade ele é mais seguro que a gasolina se manipulado de modo apropriado, disse Nicolas Lymberopoulos, diretor de projetos e programas da agência da ONU e do centro de energia de hidrogênio: mais leve que o ar, ele se dispersa rapidamente e tende a queimar em vez de explodir, o tornando mais seguro que o gás natural, ele disse. No centro em Déli, os motoristas dos auto-riquixás a hidrogênio foram treinados especificamente em técnicas de segurança e reabastecimento e os veículos de três rodas foram adaptados com sensores especiais para detecção de vazamentos. "Os aspectos técnicos foram resolvidos", disse L.M. Das, professor do Centro para Estudos de Energia do Instituto de Tecnologia, que pesquisa o hidrogênio há 25 anos e está desenvolvendo os auto-riquixás a hidrogênio há cinco. "O principal desafio é a viabilidade econômica." A tecnologia de hidrogênio é baseada na de célula de combustível, mas as células de combustível não são práticas para países em desenvolvimento, porque suas partes são caras, assim como o hidrogênio puro que elas precisam. A experiência de Déli mostra que mesmo os humildes auto-riquixás podem rodar com hidrogênio de menor qualidade -apesar de emitirem alguns traços de óxido de nitrogênio. Agora, serão necessárias restrições à poluição ou conversão obrigatória dos veículos para hidrogênio para que ele ganhe impulso na Índia, disse Lymberopoulos. "O hidrogênio tem um papel, não apenas nos países desenvolvidos, mas também em economias em desenvolvimento como a Índia", disse Kandeh K. Yumkella, diretor geral da ONU. "Não é apenas para veículos de luxo e ônibus, mas também para aplicações práticas pé no chão, como os riquixás."

Um convento franciscano foi pichado nesta terça-feira em Jerusalém com frases que profanam Jesus Cristo e são consideradas ofensivas aos cristãos. O ataque acontece um mês depois que outro monastério foi atacado na região.
De acordo com a polícia de Israel, as mensagens apareceram nesta manhã no Convento de São Francisco, no monte Sião. As portas do monastério foram pichadas com xingamentos profanando Jesus em hebraico, incluindo a inscrição "preço a pagar", em referência aos colonos judeus radicais.
Os agentes ainda não têm pistas sobre os autores da ação, mas deverá seguir como as de ações similares nos últimos três meses contra conventos cristãos e mesquitas.
No início de setembro, o Monastério de Latrum, a 20 km de Jesrusalém, foi alvo de ataque similar. O prédio foi pichado e teve uma das portas incendiada durante a madrugada.
Dentre as frases contra os cristãos pichadas em hebraico nas paredes, estava "Jesus é um símio" e citações a Migron, colônia judaica mais antiga da Cisjordânia, esvaziada dias antes por ordem da Justiça israelense.
O presidente Shimon Peres condenou o ato, que considerou contrário aos princípios do judaísmo. "Não devemos danificar os santuários de outras religiões. As ações deste grupo vão contra os princípios da religião judaica e prejudicam Israel".
Apesar da grande quantidade de ataques de colonos judeus radicais, autoridades israelenses prenderam quase nenhum ativista. Uma das razões para que não haja prisões é o tipo de atuação dos grupos, similar a de um serviço secreto.

Nos últimos dias o número de prisões aumentou no Irã, mas, em vez de atingir a oposição e os reformistas, como costuma acontecer, elas têm visado os círculos do governo conservador. Faezeh Hachemi Rafsandjani, a filha do ex-presidente iraniano, que continua a exercer um papel importante na vida política de seu país, foi presa em sua casa e levada à temida prisão de Evin. A jovem, próxima do movimento de protestos de junho de 2009, havia sido condenada a uma pena de seis meses de prisão, mas até hoje permanecera em liberdade. No dia 24 de setembro, o irmão de Faezeh, Mehdi Hachemi, foi preso, um dia após chegar ao aeroporto de Teerã, voltando de três anos passados em Londres. Ele também é acusado de ser um instigador das manifestações do "movimento verde", que havia protestado nas ruas contra a controversa reeleição de Mahmoud Ahmadinejad já no primeiro turno das eleições presidenciais. O envolvimento dos filhos de Rafsandjani com o movimento verde e os protestos de 2009 não foi o verdadeiro motivo dessas prisões, concordam os comentaristas iranianos, que veem ali muito mais uma "mensagem" dirigida ao insubmergível Ali Akbar Hachemi Rafsandjani, velha raposa da política iraniana. Presidente entre 1989 e 1997, Rafsandjani teve de abrir mão de suas ambições presidenciais depois de sua amarga derrota em 2005 para Ahmadinejad, que destacou cruelmente sua falta de base popular. Depois de seu - tímido - distanciamento do regime, após a repressão de 2009, concluiu seu exilo. Mas continuou sendo um homem de influência, à frente de uma imensa fortuna e do Conselho de proteção dos interesses do regime. Nas últimas semanas, Rafsandjani fez sua volta ao cenário político iraniano: cada vez mais presente na mídia, ele chegou até a ser visto sentado ao lado do Líder supremo Ali Khamenei durante a cúpula dos Não-Alinhados no final do mês de agosto, em Teerã. Com a aproximação da eleição presidencial de 2013, essa visibilidade não deixa de preocupar alguns dos clãs no poder, que temem a aura desse homem pragmático, que havia encarnado a reconstrução do país após a guerra contra o Iraque e a morte do aiatolá Khomeini. Submetido a rigorosas sanções financeiras por causa de seu programa nuclear, o Irã está vendo o rial afundar e sua economia correr para a falência: Rafsandjani, ou um de seus aliados, poderia encarnar uma saída para a crise. Prendendo seus filhos, quiseram avisá-lo que ele deveria se manter à distância. Outra vítima dessas purgas preventivas é o presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, que concluirá em 2013 seu segundo mandato e por isso não poderá se candidatar novamente. Mas ele não esconde sua vontade de ver como sucessor seu fiel braço direito, Esfandiar Rahim Machai. Um homem execrado pelos religiosos e pelo círculo do Líder supremo, o verdadeiro homem forte da República Islâmica, por suas opiniões sacrílegas sobre o xiismo.
Enquanto estava em Nova York para assistir à Assembleia Geral da ONU - sua última -, Mahmoud Ahmadinejad soube da prisão de seu assessor de imprensa, Ali Akbar Javanfekr, também diretor da agência oficial de notícias Irna, na última quarta-feira (26), em Teerã, para cumprir sua pena de seis meses de prisão por "insulto ao Líder supremo" pronunciada em fevereiro de 2012. Ali também a mensagem foi transparente: Ahmadinejad não deve esperar colocar em seu lugar um dos seus. Essa onda de prisões, à qual convém acrescentar a ordem de fechamento contra o principal jornal moderado do país, "Shargh", é o primeiro sinal tangível da batalha subterrânea que está se dando neste momento visando a eleição presidencial de 2013. A sucessão de Mahmoud Ahmadinejad está em aberto, sabendo-se que a ala reformista está fora de jogo, uma vez que seus dois principais líderes, Mir Hossein Moussavi e Mehdi Karoubi, se encontram em prisão domiciliar. Bernard Hourcade, diretor de pesquisas no CNRS e especialista em Irã, vê ali "uma competição meio anárquica, onde os diferentes partidos próximos do governo estão bloqueando uns aos outros diante do olhar do Líder supremo, cuja autoridade perdeu muita força com os protestos de 2009". Durante a semana que se passou, Mohammad Bagher Ghalibaf, o popular prefeito de Teerã, lançou um ataque virulento contra a corrupção e a má gestão do governo Ahmadinejad. Ao mesmo tempo, Haddad Adel, deputado e sogro do filho de Ali Khamenei, Mojtaba, não escondeu sua intenção de participar da corrida presidencial. Outro suposto pretendente: Said Jalili, o representante especial do Líder supremo para as negociações sobre a questão nuclear. "Esse jogo de massacre continuará até a eleição", prevê Bernard Hourcade. "Cada um tem interesse em destruir os outros candidatos, mas nem por isso se declaram, para poderem surgir no último minuto". Veladamente, também está sendo preparada a sucessão do próprio líder. A habitual e acirrada luta pelo poder dentro da ala ultraconservadora ainda tem outras questões. Seu resultado terá influência sobre o resultado das negociações em andamento sobre o programa nuclear, infrutíferas até o momento, e sobre a guerra regional por tabela entre a Síria e o Irã de um lado, e o Qatar, a Arábia Saudita e a Turquia de outro.


Uma corte especial iraniana considerou ontem a agência de notícias Reuters, representada em Teerã pela jornalista Parisa Hafezi, culpada por "propaganda contra o regime" daquele país.
O processo foi causado por um vídeo divulgado pela agência em fevereiro, em que mulheres iranianas treinando artes marciais foram chamadas de ninjas assassinas. A Reuters reconheceu o erro.
A previsão é de que a sentença saia nesta semana. Depois do ocorrido, o escritório de Teerã foi fechado. A maior parte da equipe foi transferida para Dubai, mas Hafezi não foi autorizada a deixar o país.
De olho na Copa do Mundo de 2014, nas Olimpíadas de 2016 e nos investimentos estrangeiros que o Estado do Rio deverá receber nos próximos anos, a Secretaria Estadual de Educação planeja criar quatro escolas bilíngues na rede estadual, nos próximos anos. Cada escola será voltada para o ensino de um idioma específico: francês, espanhol, inglês e chinês (mandarim).
"As escolas devem estar preparadas para os eventos que o Rio de Janeiro receberá nos próximos anos. Nossos jovens têm o direito de conhecer outras culturas e de se expressar adequadamente também em outras línguas", disse o secretário de Educação, Wilson Risolia.
Os projetos mais avançados são os das escolas especializadas em francês e mandarim. O convênio para a implantação da escola em língua francesa, que deverá funcionar a partir do segundo semestre de 2013, foi assinado há duas semanas entre o governo estadual e o Consulado da França no Rio. O acordo prevê também a implantação de escola bilíngue na França, que vai promover a língua portuguesa.
O acordo para a escola bilíngue de mandarim foi assinado no último dia 25 em Pequim, entre o governo fluminense e a prefeitura da capital. Além da escola no Rio, haverá outra instituição português-mandarim em Pequim.
Em relação às demais escolas, a Secretaria Estadual de Educação ainda não tem detalhes sobre como será feito o ensino bilíngue, quem serão os professores ou onde ficará cada unidade.