18/10, SALA 4A-07, 13:00
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
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A Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa de São Paulo realizou
ontem audiência para lembrar as torturas e mortes ocorridas contra
imigrantes japoneses no Brasil em meados da década de 1940. Foi o
primeiro evento do grupo que não discutiu episódios da última ditadura
militar (1964-85).
A audiência lembrou a perseguição do Estado brasileiro contra os
japoneses, sobretudo após 1942, quando a ditadura de Getúlio Vargas
entrou na Segunda Guerra Mundial (1939-45) contra o Eixo formado por
Alemanha, Itália e Japão.
Os conflitos no Brasil se acirraram em 1946 com a divisão da comunidade
japonesa: parte acreditava na derrota e rendição do imperador japonês,
parte achava que o país tinha vencido a guerra.
Entre os ouvidos estava Tokuichi Hidaka, 87, que passou 15 anos preso
por participar da morte de um japonês que acreditava na derrota do
Japão. Ele falou dos tempos de prisão na ilha de Anchieta, no litoral
norte de São Paulo: "Entre os 170 japoneses detidos, uns 140 eram
inocentes".
A polícia brasileira, em muitas situações, prendeu japoneses flagrados
ouvindo notícias de rádio do Japão ou mesmo quem se recusava a pisar na
bandeira do país ou na foto do imperador, como forma de reconhecer a
derrota na guerra.
Rosa Cardoso, da Comissão Nacional da Verdade, acompanhou a audiência e pediu perdão pela repressão do Estado.
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O encontro aconteceu em um lugar discreto, longe dos olhares, como ele
havia pedido. Falar com jornalistas é arriscado: os empregadores estão
nervosos e poderiam fazer disso um pretexto para demissões. "É como no
caso de acidentes de trabalho, existe uma solidariedade coletiva: se não
for muito grave, eles são escondidos para que não haja problemas com a
seguridade social", explica um dos "liquidadores" da usina nuclear de
Fukushima, encarregados de proteger e desmantelar as instalações.
O homem de 30 e poucos anos trabalhava em uma empresa terceirizada da
usina no momento do acidente que ocorreu após o tsunami do dia 11 de
março de 2011. Depois disso, o contrato de sua empresa não foi renovado.
Ele acaba de retomar o trabalho no local. "A situação dos trabalhadores
melhorou no sentido da segurança, mas o nível salarial baixou e há cada
vez menos gente qualificada", ele conta, pedindo que seu nome não seja
mencionado.
"A qualidade do trabalho deixa a desejar, pois a direção pede que se
ande mais rápido, mas os rapazes não têm experiência suficiente. Às
vezes eles nem mesmo conhecem o nome das ferramentas", comenta um
contramestre de uma empresa de inspeção de radioatividade que comanda
cerca de 50 operários. "As equipes mudam com frequência. Há uma
rotatividade obrigatória porque os operários que receberam a taxa máxima
de radiação por ano, 50 millisieverts --a norma internacional é de 20
mSv/ano para trabalhadores do setor nuclear--, devem deixar a área, mas
outros vão embora antes porque se consideram muito mal pagos. Se não
formarmos rapidamente operários qualificados e confiáveis, não poderemos
ir mais rápido e fazer um bom trabalho. Faltam até mesmo chefes de
equipe qualificados. Os trabalhos muitas vezes são falhos e
descuidados."
Essas deficiências explicam, em parte, os vazamentos de água
contaminada que se proliferaram nos últimos meses. Nossos interlocutores
sorriem: "Os vazamentos? Eles existiam há muito tempo, mas não se
falava deles. Foi só depois das eleições senatoriais de julho que a
grande mídia os revelou!"
Mesmo os funcionários contratados diretamente pela Tokyo Electric Power
Company (Tepco), a operadora da usina, deixaram a empresa em razão da
insuficiência dos salários e de adicionais de risco ou do não pagamento
de horas extras. "Faltam braços na usina. Há mais de mil ofertas de
emprego na província de Fukushima: nem um quarto dessas vagas é
preenchido", explica o vice-diretor da agência de empregos de Iwaki. Os
trabalhos de descontaminação menos perigosos e a perspectiva dos Jogos
Olímpicos de Tóquio em 2020 estão drenando a mão de obra para outros
lugares, em detrimento da usina acidentada.
São pouco mais de 3.000 trabalhando na usina: 1.400 vivem em J-Village
--Japan Football Village, um complexo esportivo da Tepco transformado em
abrigo para os operários-- e os outros, cerca de 1.600, nos arredores,
em albergues ou alojamentos provisórios construídos em estacionamentos
diante dos quais se alinham os mini-ônibus que os levam de volta a
J-Village à noite. Eles vão até a usina, a uma dezena de quilômetros, e
voltam em uma van especial.
Uma parte dos liquidadores são originários da região --em alguns casos,
são agricultores expulsos de suas lavouras situadas em zona
contaminada. Os outros vêm dos quatro cantos do Japão, até mesmo de
Okinawa, mais de 2.000 quilômetros ao sul. A contratação se opera
através de uma cascata de terceirizados: de seis a oito intermediários,
dependendo da categoria de trabalho.
"Para os três primeiros, os terceirizados diretos da Tepco que são
grandes empresas, é possível saber como são efetuadas as contratações,
mas nos níveis inferiores, é muito difícil", comenta Hiroyuki Watanabe,
vereador comunista em Iwaki, que organizou um serviço de aconselhamento
para os funcionários da usina. "Tem-se a impressão de que o Japão, país
tecnologicamente avançado, utiliza os métodos mais sofisticados, com
seus robôs, na usina acidentada, mas a realidade é diferente. Muitas
vezes se usa material antigo, pois uma vez contaminado, ele se torna
inutilizável."
O pessoal menos qualificado não recebe proteção suficiente e é vítima
de "descontos" em seus salários pelos intermediários que os contrataram.
No final, recebem somente 6 mil ienes (R$ 133) por dia. "As conversas
com os trabalhadores revelam um descontentamento e uma preocupação
latente daqueles que estão mais expostos. Alguns tentam trapacear no
limite de exposição cumulativa de radiação para continuar trabalhando o
maior tempo possível", explica Watanabe. Eles escondem seu dosímetro em
um lugar pouco contaminado para reduzir o nível de radiação registrado
ao longo de um dia.
As empresas queriam baixar o limite de 50 para 20 mSv/ano, "mas os
operários resistem porque eles querem trabalho. Ao mesmo tempo, ficam
amargurados por se sentirem isolados do resto do país. Tóquio é
indiferente às condições deles", diz Watanabe. No J-Village há cartas
expostas de estudantes enviadas de todo o país para encorajá-los.
A época de bons salários, no desespero do ano que se seguiu à
catástrofe com o fluxo de trabalhadores e, na esteira, os prostíbulos
nas cidades do entorno, se foi. Os funcionários da usina permanecem
enclausurados nos dormitórios pré-fabricados de suas empresas ou nos
albergues da região. Cidades mortas, como Hirono, a uma dezena de
quilômetros ao sul da usina.
Evacuada, a pequena cidade foi reaberta em agosto de 2012. É a última
parada da ferrovia que vai para o norte, que é interrompida. Cerca de
mil habitantes voltaram, dentre os 5.800 de antes do desastre. As
escolas estão vazias. A maior parte das casas está fechada e as portas
de ferro das lojas, abaixadas. No início da noite, a rua principal fica
fracamente iluminada, soturna. O único sinal luminoso é o do bistrô
Maehama. A pequena sala no primeiro andar está quase vazia. "Perdemos os
clientes regulares", lamenta o dono. "Os trabalhadores não vêm mais.
Eles compram comida nos mercadinhos na beira da estrada."
Os liquidadores moram nas casas alugadas pelos proprietários que não
querem mais viver ali. Eles são vistos somente no comecinho da manhã e
no fim do dia, subindo e descendo dos mini-ônibus. O desmantelamento da
usina provavelmente levará uns quarenta anos: serão necessários dezenas
de milhares de "peões" como esses, invisíveis e vulneráveis.
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Após a "falta" de Barack Obama, retido em Washington em razão da crise
orçamentária americana, a China não teve dificuldades em exercer o papel
principal nas diferentes cúpulas regionais e internacionais realizadas
esta semana no Sudeste Asiático.
Para os países da região, cujos sentimentos em relação à ascensão
chinesa continuam divididos, a ausência de Barack Obama, após as
postergações deste último na questão da Síria, faz com que eles se
perguntem quão verdadeira seria essa vontade dos americanos de
reinvestirem na Ásia após o parêntese de Bush, que havia ignorado
amplamente esse continente.
Seria Washington realmente um aliado com o qual se pode contar? É o que
alguns se perguntam no Sudeste Asiático, diante daquilo que é visto
como uma dificuldade, da parte de Obama em seu segundo mandato, de tomar
decisões firmes e se ater a elas.
A cúpula dos países membros da Cooperação Econômica da Ásia e do
Pacífico (Apec) terminou na terça-feira (8), em Bali, na Indonésia. Ela
foi seguida do encontro anual, na quarta-feira, dos dez chefes de Estado
dos membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) no
emirado de Brunei. Depois, na quinta-feira pela manhã, ainda no emirado,
a cúpula do Sudeste Asiático reuniu, como a cada ano, os russos, os
americanos, os japoneses e os chineses com seus colegas da região. A
semana diplomática foi pesada e o cancelamento da vinda de Barack Obama,
substituído pelo secretário de Estado, John Kerry, amplamente
comentado.
Barack Obama se destacou ainda mais por sua ausência pelo fato de que
seu homólogo chinês, Xi Jinping, acabara de visitar dois países-chaves
da região, a Indonésia e a Malásia. Dirigindo-se ao parlamento
indonésio, Xi, também líder do Partido Comunista Chinês, prometeu, na
quinta-feira (3), que o montante das trocas comerciais da China com a
Asean chegaria a US$ 1 trilhão (R$ 2,18 trilhões) até 2020.
Todos os países da região, com exceção das Filipinas, já têm a China
como principal parceiro econômico. No dia seguinte, em Kuala Lumpur,
capital da Malásia, o dirigente chinês também reiterou a vontade de
Pequim de "apoiar o papel central da Asean". A maior parte dos países do
Sudeste Asiático vê o lugar ocupado agora pela China ao mesmo tempo
como uma bênção e uma ameaça.
A Malásia, o Vietnã, as Filipinas e Brunei --sem falar de Taiwan--, na
verdade, estão em conflito com a China sobre questões de soberania de
arquipélagos situados no Mar do Sul da China. Para eles, o
"guarda-chuva" americano e o fato de Barack Obama ter anunciado que
redirecionaria 60% da capacidade marítima da U.S. Navy para a Ásia,
constituíam uma garantia de segurança regional. Essa estratégia visava
aumentar a presença militar americana na região empregando os navios o
mais perto possível da zona de operações, evitando assim as duas semanas
de travessia a partir da costa oeste americana.
Agora, Washington não fala mais em redirecionamento, mas sim em
"reequilíbrio", e a crise orçamentária e suas consequências preocupam os
dirigentes da Asean. Para Simon Tay, presidente do Instituto de
Relações Internacionais de Cingapura, "a decisão de Obama de cancelar
sua ida às cúpulas poderia ser o sinal da quebra das promessas desse
'redirecionamento'". Charles Morrison, presidente do East-West Center de
Honolulu, acredita que esse "episódio da crise orçamentária faz pensar
se o sistema político americano está realmente funcionando bem e se os
Estados Unidos são capazes de manter uma posição de liderança".
A maneira como os chineses apostaram na moderação durante as cúpulas,
esta semana, teria sido a contrapartida da percepção de uma suposta
perda de influência americana. Em Brunei, na quarta-feira, Pequim deixou
de lado sua agressividade a respeito de suas reivindicações
territoriais. "Devemos trabalhar juntos para fazer do Mar do Sul da
China um mar de paz, de amizade e de cooperação", declarou o novo
primeiro-ministro chinês, Li Keqiang.
No dia 4 de setembro, Li havia esboçado essa nova abordagem ao prometer
ao Sudeste Asiático uma "década de diamantes", ou seja, prosperidade
econômica, após a "década dourada" que acabara de passar. No entanto, a
China havia redobrado sua agressividade contra a Asean nos meses que
antecederam a nomeação de Xi Jinping à liderança do partido, em novembro
de 2012. Os chineses haviam provado que possuíam esse "mare nostrum"
legalmente.
Mas os momentos de tensão orquestrados por Pequim seguem ciclos,
dependendo das iniciativas americanas e das necessidades da política
interna. Por enquanto, o momento parece ser de pacificação no Sudeste
Asiático, enquanto a China compete com o Japão no nordeste da Ásia.
Tóquio e Pequim reivindicam a soberania sobre as ilhas de Senkaku,
chamadas de Diaoyu pelos chineses.
A mídia estatal da Coreia do Norte confirmou o
afastamento de um general linha-dura do comando das forças armadas, o
mais recente sinal de uma reforma nas forças armadas na qual o líder
supremo do país, Kim Jong Un, substituiu quase metade dos altos oficiais
do país nos últimos dois anos, segundo autoridades sul-coreanas.
O afastamento do general Kim Kyok Sik e a ascensão do general Ri Yong
Gil para substituí-lo como chefe do Exército Popular norte-coreano foi a
mais recente de uma série de mudanças importantes promovidas por Kim
Jong Un para consolidar seu controle da elite norte-coreana.
Desde que chegou ao poder após a morte de seu pai, Kim Jong Il, no
final de 2011, Kim Jong Un substituiu 44% dos 218 principais postos
militares, do partido e do governo da Coreia do Norte, disse o
Ministério da Unificação sul-coreano em um relatório. Ele promoveu essas
e outras mudanças para aposentar ou marginalizar velhos generais dos
tempos de seu pai e promover um novo conjunto de assessores, que lhe
deverão diretamente lealdade.
O remanejamento de altos cargos acelerou desde julho do ano passado,
quando o vice-marechal Ri Yong Ho, um dos homens mais poderosos sob o
pai de Kim, foi repentinamente demitido como chefe das forças armadas
norte-coreanas. Ele foi substituído pelo vice-marechal Hyon Yong Chol.
Hyon não durou muito e logo foi rebaixado e substituído por Kim Kyok
Sik, em maio.
Kim Kyok Sik, 74 anos, é um dos mais antigos assessores de Kim Jong Il a
ainda manter um alto cargo, mesmo após Kim Jong Un ter promovido
generais mais jovens. As autoridades sul-coreanas acreditam que Kim Kyok
Sik comandou as unidades responsáveis pelo afundamento de um navio de
guerra sul-coreano e pelo bombardeio a uma ilha fronteiriça sul-coreana
em 2010, ataques que mataram 50 sul-coreanos.
Mas o nome dele desapareceu da mídia estatal norte-coreana após a
Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores do governo ter se
reunido em agosto para discutir assuntos envolvendo pessoal.
Pouco se sabe sobre Ri Yong Gil, que está encarregado pelas operações
de campo das forças armadas norte-coreanas na condição de seu chefe. Ele
chamou a atenção de analistas externos quando a mídia norte-coreana
noticiou que ele foi um dos generais que orientaram Kim Jong Un há
alguns meses, quando a Coreia do Norte ameaçou um ataque nuclear contra
os Estados Unidos e a Coreia do Sul.
As autoridades sul-coreanas acreditam que Ri foi nomeado chefe das
forças armadas durante a reunião de agosto da Comissão Militar Central.
Mas a mídia norte-coreana mencionou seu novo título pela primeira vez
na quinta-feira, em despachos listando aqueles que acompanharam Kim Jong
Un durante uma visita ao mausoléu em Pyongyang onde jazem seu pai e seu
avô, o presidente fundador Kim Il Sung. Na quinta-feira foi o 68º
aniversário do Partido dos Trabalhadores.
Ri se junta ao general Jang Jong Nam, que se tornou ministro das forças
armadas em maio, e o vice-marechal Choe Ryong Hae, o mais alto oficial
político das forças armadas, como os três principais assessores
militares de Kim Jong Un.
Dentre os três, Choe, diretor do politburo do Exército Popular
norte-coreano, é considerado o mais poderoso. Ele apareceu com Kim Jong
Un na mídia norte-coreana com mais frequência que qualquer outro membro
da elite norte-coreana.
Choe, um ex-secretário do partido, nunca serviu nas forças armadas.
Analistas sul-coreanos veem sua ascensão repentina nas fileiras
militares sob Kim Jong Un como um sinal de que Kim está deixando o
partido reafirmar sua influência sobre os militares, à medida que
promete canalizar mais recursos nacionais para a reconstrução da
economia.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
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