Para apresentar o programa do último
domingo na TV estatal egípcia, Fatma Nabil apareceu, como sempre, maquiada e de
terninho. Desta vez, no entanto, as atenções se voltaram para o véu creme, com
que ela cobria os cabelos.
O "hijab", ou véu islâmico, proibido para apresentadoras
de telejornais durante os 30 anos de governo do ex-ditador Hosni Mubarak,
voltou ao ar com Fatma e despertou reações diversas entre espectadores e
formadores de opinião no país-religiosos ou não.
Para muitos, a permissão, concedida pelo presidente Mohamed Mursi,
ligado à Irmandade Muçulmana, é símbolo de libertação religiosa.
O bancário Khaled Atef, que vive no Cairo, disse não ver a decisão
sob o prisma político. "Esse é um caso de liberdade pessoal. Não há
problema", disse Atef à Reuters.
Mas há quem veja no movimento um avanço perigoso dos islâmicos.
"A Irmandade quer que todos os egípcios se tornem parte dela",
afirmou no site da TV um homem que se identifica como "muçulmano
oprimido".
A decisão ocorre no momento em que dois jornalistas são julgados
no país por "insulto" ao presidente.

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