terça-feira, 4 de setembro de 2012


Para apresentar o programa do último domingo na TV estatal egípcia, Fatma Nabil apareceu, como sempre, maquiada e de terninho. Desta vez, no entanto, as atenções se voltaram para o véu creme, com que ela cobria os cabelos.
O "hijab", ou véu islâmico, proibido para apresentadoras de telejornais durante os 30 anos de governo do ex-ditador Hosni Mubarak, voltou ao ar com Fatma e despertou reações diversas entre espectadores e formadores de opinião no país-religiosos ou não.
Para muitos, a permissão, concedida pelo presidente Mohamed Mursi, ligado à Irmandade Muçulmana, é símbolo de libertação religiosa.
O bancário Khaled Atef, que vive no Cairo, disse não ver a decisão sob o prisma político. "Esse é um caso de liberdade pessoal. Não há problema", disse Atef à Reuters.
Mas há quem veja no movimento um avanço perigoso dos islâmicos. "A Irmandade quer que todos os egípcios se tornem parte dela", afirmou no site da TV um homem que se identifica como "muçulmano oprimido".
A decisão ocorre no momento em que dois jornalistas são julgados no país por "insulto" ao presidente.

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