quarta-feira, 16 de julho de 2014


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Uma artista japonesa que produziu imagens de Lady Gaga e um caiaque com a forma de sua vagina disse nesta quarta-feira, 16, em uma penitenciária de Tóquio, estar "indignada" com a sua prisão e prometeu lutar contra as acusações de distribuir material obsceno.
Megumi Igarashi, de 42 anos, disse estar desafiando uma cultura de "discriminação" contra a discussão da vagina na sociedade japonesa. 
 Megumi, que trabalhou sob o pseudônimo de 'Rokudenashiko', que significa "garota que não vale nada" em japonês, construiu um caiaque amarelo com a parte de cima na forma de sua vagina depois de levantar cerca de 10.000 dólares por meio de crowdfunding.
Como agradecimento aos doadores para seu projeto, ela lhes enviou dados da impressão em 3D de sua vagina escaneada, a base para sua obra.
Ela foi presa no sábado por distribuir material obsceno e pode pegar até dois anos de prisão e ter de pagar uma multa de até 25 mil dólares.
Megumi disse que cerca de 10 policiais chegaram a sua casa no sábado. Inicialmente, ela pensou que eles estivessem apenas interessados ??em confiscar seu trabalho, que ela define como uma exploração artística da "manko", a gíria japonesa para vagina.
"Eu não pude deixar de rir um pouco enquanto explicava aos policiais, com expressões sérias: 'Esta é a figura da ‘manko’ de Lady Gaga'", disse Megumi à Reuters através de uma barreira de separação, de plástico, na prisão centro de Tóquio.
"Eu não esperava ser presa. Mesmo quando eles estavam confiscando as minhas obras, eu pensei: ‘Esta será uma boa história’. Em seguida, eles me algemaram e prenderam. Eu estou indignada."
Mais de 17.000 pessoas já assinaram uma petição online pedindo a libertação imediata de Megumi no site Change.org, uma plataforma online para petições. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014


http://fc06.deviantart.net/fs39/i/2008/315/7/e/burned_by_Meltys.jpg 







https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ggCXPSkl-2M

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http://studentbroadleft.org.uk/wp-content/uploads/2011/05/End-the-Siege-on-Gaza-300x212.jpg
http://coedmagazine.files.wordpress.com/2012/07/sexy-olympics-beach-volleyball-butts-12.jpg
http://www.bocaberta.com.br/Conteudo/Comentario/Imagem/Maria%20Duschenes-foto1.jpg
1922-2014

http://www.guernicamag.com/Grannan_151_300.jpg

Encenado pelo dançarino japonês Min Tanaka, o espetáculo de dança experimental da vanguarda japonesa “Locus Focus Project” chega ao Sesc Consolação. A apresentação acontece nos dias 15 e 16 de julho, terça e quarta, às 20h, com ingresso até R$ 20. “Locus Focus Project” é um projeto site specific, no qual o dançarino Min Tanaka cria movimentos improvisados, a partir de um diálogo profundo com os espaços e com as pessoas que fizeram parte da história dos locais onde a performance ocorre. O espetáculo, em que nenhum movimento é coreografado ou predeterminado, já percorreu várias localidades urbanas e rurais do Japão, Índia, África e Europa.

 Palestra dia 14/07
Imagens do Corpo
COM KUNIICHI UNO E CHRISTINE GREINER
http://www.sescsp.org.br/programacao/38987_IMAGENS+DO+CORPO#/content=saiba-mais
Folha de São Paulo
Quarta 08 de julho 2014
Corpo em crise
Bailarino japonês Min Tanaka mostra em São Paulo seu projeto 'Locus Focus', em que reinventa a dança com movimentos inspirados no butô e na história de cada lugar em que se apresenta
IARA BIDERMANDE SÃO PAULO
O bailarino japonês Min Tanaka, 69, um dos três grandes nomes do butô, vai se apresentar pela segunda vez no Brasil, após um intervalo de quase duas décadas.
Ele chega na semana que vem a São Paulo com seu projeto "Locus Focus" (foco no lugar), que já levou a vários países da Ásia, da África e da Europa. O espetáculo foi apresentado em bosques, praças, centros urbanos e zonas rurais.
Junto com Tatsumi Hijikata (1928-86) e Kazuo Ohno (1906-2010), Tanaka esteve nas origens do butô, movimento artístico que buscou um entendimento novo do corpo, unindo influências das vanguardas europeias e das tradições japonesas para reinventar a dança.
Com Hijikata, criador do "ankoku butô" --dança das trevas-- ele penetrou nesse corpo em crise que o butô tenta expressar.
"O butô aponta para as trevas humanas e para a história deste tempo de trevas", afirma Tanaka, em entrevista por e-mail à Folha.
"Esta dança diz respeito à sua gênese, que se refere à resistência do ser humano, sua capacidade de se reinventar, pois nasceu da experiência de destruição de um país inteiro (o bombardeio nuclear no Japão em 1945)", diz a atriz Denise Stoklos, que trabalhou em Tóquio com discípulos de Hijikata e Ohno.
Segundo o bailarino mineiro Marcelo Gabriel, que estudou com Kazuo Ohno, o dançarino de butô se joga em abismos interiores para entrar em contato com a pura presença do corpo e romper seus limites --"como um cadáver que se levanta", nas palavras de Hijikata.
Mas Tanaka não se prende ao rótulo de dançarino de butô. "Não quero um método preestabelecido. O movimento humano não tem mais nada de novo, tudo já foi mostrado", diz.
Ele tampouco se restringe à dança em seu trabalho artístico e é também famoso por sua atuação no cinema. O último trabalho foi o longa "47 Ronins" (2013), em que atuou ao lado de Keanu Reeves.
Não que isso o afaste do butô, que, em suas origens, envolvia artistas de diversas áreas. "A vanguarda incluía gente da fotografia, do cinema. O butô era parte do contexto cultural do Japão e do mundo nos anos 1960", diz Christine Greiner, professora de comunicação e artes do corpo da PUC-SP.
O cinema, para Tanaka, é como o trabalho que faz na fazenda orgânica que fundou nos anos 1970 na área rural do Japão. "É uma expressão humana, portanto, é sobre algo que existe antes da arte'. Não quero deixar o corpo perder o contato com o que é a própria história da humanidade".
No solo que vai apresentar em São Paulo, a inspiração é o próprio local onde dança. "Eu não danço EM um lugar, eu danço O lugar, que tem uma história e um tempo que não é o meu."
"Locus Focus' começa e termina com a afirmação que só o corpo vivo existe. É impossível apenas assistir à dança de Min Tanaka. O seu corpo, mesmo que pareça estar em um sono profundo ou mesmo morto, força o espectador a ficar mais acordado e mais vivo do que nunca", diz Kuniichi Uno, professor de artes do corpo e do movimento da Universidade Rikkyo (Japão).



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http://www.thelocal.fr/userdata/images/article/w468/f0fc093b564c6463b25b551699e226b3a3ba4cdc011890e90cbdbc46bb43ba05.jpg

terça-feira, 8 de julho de 2014


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http://www.theguardian.com/world/gallery/2014/jul/08/indias-railway-network-in-crisis-in-pictures

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg70Moq8MmHHC-NfhGlHbn-dWmnHg9TMEBkkh64Q1hDH5IqzK8rOX__ZOrVE26owU77U-kNYs0b5qDKVwyDWBLV0wOEZJbNVTYqM7jyzLskA-ESRYn2qC6kVDGnp-W-nnXTHlhOtszNhXFy/s1600/winograndcolor.jpeg

O tenente-comandante [capitão de corveta] Daniel McShane, recorrendo a um intérprete, apresentou uma solicitação: um coronel norte-americano desejava se encontrar com sua contraparte norte-coreana. Ele estava falando com um megafone, e um soldado norte-coreano, diante dele, gravava em vídeo a solicitação.
Há mais de um ano, essa vem sendo a maneira pela qual McShane, oficial da marinha norte-americana que serve no Comando das Nações Unidas em Panmunjon, transmite mensagens aos norte-coreanos. Antes, os oficiais dos dois lados se comunicavam por uma linha de telefonia fixa.
Mas, quando a ONU impôs novas sanções econômicas, em março de 2013, depois do terceiro teste nuclear norte-coreano, os norte-coreanos pararam de atender as ligações, cuja função era ajudar a administrar a Zona Desmilitarizada (DMZ) que separa os dois países. O pessoal do Comando da ONU insiste em ligar para ver se os norte-coreanos abandonaram o boicote. "Tentamos quatro vezes por dia", diz o tenente-comandante McShane. "O telefone toca, mas ninguém atende".
E assim segue a vida em Panmunjon, a cerca de 50 quilômetros ao norte de Seul e localizada na linha de frente do que tecnicamente continua a ser uma guerra entre as duas Coreias. O complicado sistema de comunicações -reflexo do relacionamento gélido entre o norte e o sul- aumenta o estresse em uma zona de fronteira que é uma estranha mistura de alta tensão e de preocupações mais prosaicas.
Com a maior parte das Forças Armadas das duas Coreias alinhada ao longo da fronteira, ninguém se dispõe a baixar completamente a guarda. "É um paradoxo. Há tensão tanto real quanto forçada, dos dois lados", disse John Delury, historiador da Universidade Yonsei, em Seul.
A Zona Desmilitarizada, que foi estabelecida pelo armistício que encerrou os combates na península em 1953, é uma área de barreira, pesadamente minada, entre o norte e o sul, e se estende por 240 quilômetros de costa a costa, com quatro quilômetros de largura. Panmunjon fica no extremo oeste da linha.
Esse trecho da fronteira é protegido pelo Batalhão de Segurança do Comando das Nações Unidas para a Área Conjunta de Segurança, força composta em 90% por sul-coreanos e em 10% por norte-americanos. O coração da Área Conjunta de Segurança é um grupo de três salões de conferência instalados em edificações separadas. A fronteira corre pelo meio desses salões. No edifício central, ela corre pelo meio de uma mesa de conferência. Dois soldados sul-coreanos ficam de guarda na sala durante o dia. A guarda regular norte-coreana fica do lado de fora. Houve uma ocasião em que um soldado sul-coreano na sala teve de lutar contra norte-coreanos que tentavam arrastá-lo para o lado norte da linha.
Nas imediações fica a Ponte Sem Volta. Em 1976, dois soldados norte-americanos tentaram cortar uma árvore próxima à ponte para melhorar a visibilidade. Vinte e oito norte-coreanos correram de seu posto de vigilância e os mataram, usando o machado que os norte-americanos portavam. O ataque se tornou lenda e ainda é relatado em grande detalhe. Delury diz que os oficiais têm seus motivos para reforçar a sensação de perigo. "No geral, os comandantes precisam manter o moral e a prontidão", diz.
"Precisam de um perigo claro e imediato".

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Os líderes da Índia talvez tenham entendido melhor do que quaisquer de seus pares internacionais o poder de comunicação da roupa. Mahatma Gandhi adotou o "dhoti" (pano retangular de 4,5 metros de comprimento amarrado em torno da cintura e das pernas, formando uma saia longa). Houve o casaco de Jawaharlal Nehru e os sáris de Indira e Sonia Gandhi, feitos do tradicional "khadi" indiano (pano de algodão cru, seda ou lã tecido à mão). Agora, é a vez de Narendra Modi.
O novo premiê indiano já usou uma peça de vestuário tantas vezes que ela passou a ser conhecida oficialmente por seu nome: é o Modi Kurta, ou "kurta" de Modi, versão da clássica túnica indiana com mangas curtas.
O alfaiate responsável por ela, Bipin Chauhan, da cadeia de butiques Jade Blue, registrou a marca do estilo e o está levando ao Reino Unido, Estados Unidos e Sudeste Asiático. A kurta de Modi tem hashtag próprio no Twitter (#ModiKurta), e há um site de comércio eletrônico (modimania.com) que se dedica a seguir o visual de Modi -isso porque, segundo o site, Modi "virou marca registrada não apenas na Índia, mas em todo o mundo".
Tudo isso revela o êxito de Modi em associar seu estilo pessoal a sua plataforma política, em benefício de ambos. A Modi Kurta não representa um avanço estético extraordinário, mas simboliza um conjunto de valores -e é essa a razão da atração que exerce. "Nunca antes houve uma convergência tão forte entre o que um político indiano representa e as roupas que ele traja", observou Priya Tanna, editora da "Vogue" indiana.
Para ela, a escolha da kurta por Modi ressalta uma imagem cultural "100% indiana".
Ela é democrática -qualquer pessoa pode se vestir assim. Ela apoia a indústria local.
Destaca as origens humildes de Narendra Modi (seu pai era vendedor ambulante de chá). O fato de a kurta que ele traja estar sempre limpa e bem-passada e de com frequência ser colorida (ele já foi visto em kurtas cor de laranja, verde-esmeralda e azul-claro, entre outras cores) forma um contraste nítido com algo que a revista "India Today" descreveu como "a era dos políticos barrigudos e desgrenhados, mascadores de bétele, trajando dhotis amassados e kurtas descoloridos". Sugere uma adesão nítida ao profissionalismo e ao pragmatismo.
As kurtas de Modi são feitos de materiais que incluem o algodão e a seda orgânicos, acompanhando seu pendor declarado por belos relógios (ele possui um Movado) e óculos de sol (Bulgari). É um tipo de estilo indicativo de aspirações, algo que reflete a visão que Modi tem para a Índia e suas indústrias.
Esse fato é sublinhado ainda mais pela história de seu alfaiate, que começou a costurar na calçada diante de confecções e que hoje possui uma rede de lojas e virou celebridade, graças a seu cliente famoso.
Chauhan confidenciou certa vez: "Modi me disse que há três coisas das quais faz questão de cuidar bem: seus olhos, sua voz e suas roupas". Esse tipo de criação confessa de imagem gera um ponto de vulnerabilidade. O líder do partido rival Samajwadi, Mulayam Singh Yadav, acusou Modi de "trocar de kurta 500 vezes por dia" durante a campanha.
Mas a criação de uma espécie de símbolo visual que é largamente reconhecido e -a julgar pelo número de pessoas que começaram a se vestir como Modi- aprovado parece ter valido a pena.
Agora que Modi está no poder, a pergunta é se seu estilo e sua mensagem vão mudar.
Em sua posse, por exemplo, Modi trocou sua kurta de mangas curtas por uma versão de mangas longas, com punho abotoado. O fato suscitou discussões no Twitter sobre se o visual mais formal era ou não um sinal positivo.
A discussão significa que o premiê indiano criou a ideia de que as roupas que veste carregam um sentido que merece ser analisado. Essa talvez seja a tendência que mais valha a pena ser observada.

terça-feira, 1 de julho de 2014


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O Governo do Japão aprovou esta terça-feira uma histórica e polémica modificação da sua Constituição pacifista adoptada depois da II Guerra Mundial, que agora lhe permitirá pela primeira vez ajudar militarmente os seus aliados, se forem atacados. A medida foi insistentemente impulsionada pelo primeiro-ministro, Shinzo Abe, apesar da rejeição de boa parte da opinião pública no Japão (mais de 60%, de acordo com as últimas sondagens) e até de membros da coligação governante. Foram incluídas na Carta Magna várias condições que permitem ao Japão defender os seus aliados, algo até agora limitado pelo artigo 9, que impedia o país de usar a força para resolver conflitos internacionais. De acordo com a nova interpretação, o Japão poderá exercer o chamado direito de autodefesa colectiva, se "a existência do país estiver ameaçada e existir um perigo claro de que os direitos do povo à vida, à liberdade e à busca de felicidade se vejam anulados". O conceito de autodefesa colectiva está contemplado no Direito Internacional e, para além da assistência militar a aliados no caso de estes serem atacados, permitiria a participação do Japão em operações de segurança das Nações Unidas. Neste sentido, Tóquio poderá acelerar o envio das suas Forças de Autodefesa (Exército) a zonas de conflito de baixa intensidade e estudar a ampliação de apoio logístico e de outro tipo para estas missões de paz no estrangeiro. Para efectivar a medida, o parlamento japonês tem de dar a sua aprovação, e ainda que as forças governamentais tenham maioria, não se descarta que haja algumas restrições à modificação antes da sua ratificação definitiva. Para chegar a este ponto, o Partido Liberal Democrata de Shinzo Abe teve que negociar durante um mês com o seu parceiro de coligação, o partido budista e conservador Novo Komeito, que se mostrou radicalmente contra a revisão do artigo 9, mas que depois acabou por aceitar a inclusão do direito de autodefesa. Abe defende a necessidade de converter o Japão num actor "mais proactivo" em matéria de segurança dentro da comunidade internacional e também instou a que as Forças de Autodefesa tenham um papel mais enérgico perante o avanço da China na região e as ameaças da Coreia do Norte. A medida desperta desconfiança de países vizinhos que sofreram o colonialismo imperialista japonês até ao final da II Guerra Mundial, como a Coreia do Sul ou a própria China. No Japão, muitos criticaram os mecanismos para modificar os limites constitucionais defendidos por Abe, que descartou a possibilidade de os alterar através do processo longo e complexo que requer vários anos e aprovação de dois terços do parlamento antes da realização de um referendo. 

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As ilhas possuem tudo o que se poderia querer de um destino turístico tropical: areia branca, água turquesa e ventos marítimos. Mas elas só tomaram forma nos últimos meses e são motivo de desavença entre a China e seus vizinhos.
A China vem colocando areia sobre recifes e baixios, criando novas ilhas no arquipélago de Spratly. Para autoridades estrangeiras, trata-se de um novo esforço para expandir a presença chinesa no mar do Sul da China. Segundo elas, as ilhas poderão conter grandes construções, inclusive residências e equipamentos de vigilância, como radares.
A construção das ilhas preocupa o Vietnã, as Filipinas e outros países do Sudeste Asiático que reivindicam a soberania das ilhas Spratly. Desde abril, as Filipinas registraram protestos junto à China contra o trabalho de aterramento realizado em dois recifes. Recentemente, o presidente filipino, Benigno S. Aquino 3°, criticou a movimentação de navios chineses que, segundo ele, podem estar envolvidos na construção de ilhas em dois outros pontos.
Numa conferência realizada em maio, o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, repreendeu a China por suas "atividades de aterramento marítimo em múltiplos pontos" no mar do Sul da China.
Críticos dizem que as novas ilhas vão permitir que a China instale mais equipamentos de vigilância e estações de reabastecimento de embarcações do governo. Para alguns analistas, os militares chineses enxergam sua presença nas ilhas Spratly como parte de uma estratégia de longo prazo de projeção de poder no Pacífico ocidental.
Um fato que talvez seja igualmente importante é que as novas ilhas podem permitir que a China alegue ter uma zona econômica exclusiva que se estende por 200 milhas náuticas em volta de cada ilha, algo definido na Convenção de Direito Marítimo das Nações Unidas.
"Ao criar a aparência de uma ilha, a China pode estar querendo reforçar o mérito de suas reivindicações", opinou o cientista político Taylor Fravel, do Massachusetts Institute of Technology.
A China alega que tem o direito de construir nas ilhas Spratly porque elas são território chinês. "A China detém a soberania indiscutível das ilhas Nansha", disse recentemente uma porta-voz do Ministério do Exterior, Hua Chunying, usando o nome chinês do arquipélago. As autoridades chinesas também afirmam que o Vietnã e as Filipinas já construíram mais estruturas que a China na região em disputa.
Mas analistas observam que outros países não construíram ilhas e que, de modo geral, ergueram suas estruturas antes de 2002, quando a China e nove países do Sudeste Asiático firmaram um pacto que prevê que as partes devem "autolimitar atividades" e não devem habitar qualquer área terrestre atualmente desabitada.
Um funcionário ocidental disse que, desde janeiro, a China vem construindo três ou quatro ilhas, projetadas para ter entre oito e 16 hectares cada.
Segundo ele, parece haver pelo menos uma instalação destinada a uso militar, e as novas ilhas poderão ser usadas para o reabastecimento de navios, incluindo embarcações chinesas de patrulha marítima.
A China acendeu alarmes na região e em Washington em maio, quando uma petrolífera estatal posicionou uma plataforma exploratória mais ao norte no mar do Sul da China, ao lado das disputadas ilhas Paracel, perto do Vietnã. A plataforma suscitou desentendimentos diplomáticos e violentos protestos contra a China no Vietnã.
Autoridades dizem que o recife Johnson South, que a China tomou em 1988 depois de matar 70 soldados e marinheiros vietnamitas em uma escaramuça, é o local com mais construções até o momento. "Ela já é a ilha Johnson, não é mais o recife Johnson", disse o funcionário ocidental. Autoridades filipinas divulgaram em maio fotos aéreas mostrando estruturas e um grande navio ali.
Le Hai Binh, do Ministério das Relações Exteriores vietnamita, disse que o Vietnã tem soberania sobre todo o arquipélago Spratly e que a "China vem implementando ilegalmente atividades de expansão e construção" no recife Johnson e outros pontos reivindicados pelo Vietnã.
O arquipélago Spratly abrange centenas de recifes, pedras, bancos de areia e atóis que se espalhavam por uma área de 41 mil quilômetros quadrados. Seis governos reivindicam partes da área. China e Vietnã reivindicam as ilhas Paracel, na área onde ainda se encontra a plataforma exploratória chinesa.
As duas áreas possuem pesca em abundância e algumas reservas de petróleo e gás.
O analista australiano Carlyle A. Thayer disse ainda não ter visto sinais de que a China esteja construindo grandes instalações militares ou uma pista de pouso nas novas ilhas.
Mas ele destacou: "Nada disso é um incidente isolado. Parece ser um novo plano para afirmar a soberania chinesa".
"Não parece ser algo que vá desaparecer, no entanto. Ainda deve alimentar muitas tensões."

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Ele nasceu na biblioteca pública de Rabat, no Marrocos, onde o pai trabalhava como zelador e onde a família morou até ele completar dois anos de idade.
Durante a maior parte de sua infância, conseguiu esconder sua sexualidade, mas os trejeitos afeminados lhe renderam gozações e violência, mesmo que depois tenham se transformado em inspiração artística.
Há cerca de oito anos, o escritor Abdellah Taïa, hoje com 40, se assumiu perante os leitores de seus livros e a imprensa, aparecendo na capa de uma revista sob o título: "Homossexual, apesar de todas as dificuldades".
Com isso, ele se tornou um dos poucos a declarar publicamente sua orientação sexual no Marrocos, onde a homossexualidade é considerada crime. E confessa que o mais difícil foi enfrentar a família. "Eles choraram e gritaram; eu chorei com a reação deles, mas nunca vou me desculpar. Nunca", conta o autor, que hoje vive em Paris, na França.
Em fevereiro, Taïa exibiu seu filme, "L'Armée du Salut", no Festival Nacional de Cinema, em Tânger. Adaptação de seu livro de mesmo título, a promissora estreia na direção deu ao mundo árabe o primeiro protagonista gay. Já exibido nos festivais de Nova York, Toronto e Veneza, ganhou o prêmio máximo do Festival de Angers, na França.
"L'Armée du Salut" é baseado na infância/adolescência do autor, o despertar de sua sexualidade, o fascínio pelo irmão vinte anos mais velho, os encontros com homens maduros em vielas escuras e a complexa relação com a mãe e as seis irmãs, que gozavam dele por ser muito afeminado e muito ligado a elas.
"Muitos marroquinos têm relações sexuais com homens, mas, como pareço afeminado, era considerado o único homossexual. No Marrocos a tensão sexual está presente em todo lugar. Eu quis mostrar isso no filme sem apelar para cenas explícitas, para me manter fiel a esse comportamento meio que secreto", diz.
Uma noite, quando tinha treze anos e estava em casa com a família, um grupo de homens bêbados começou a chamá-lo na porta de casa, pedindo que descesse para "diverti-los". Depois desse incidente, decidiu mudar -e eliminou os maneirismos afeminados para evitar que homens mais velhos lhe pedissem favores sexuais.
Levou o aprendizado do idioma francês a sério porque queria se mudar para a Europa, longe da opressão.
"Não podia viver no Marrocos. O bairro inteiro queria me estuprar. Ali é muito comum o abuso por parte de um primo ou vizinho, e você não conta com a proteção da sociedade. O estupro é insignificante".
Taïa passou a infância assistindo a filmes egípcios. A liberdade do cinema daquele país, que mostrava mulheres sem véus e bebidas alcoólicas sendo consumidas livremente, deram-lhe esperança. "Foram eles que me salvaram", afirma.
Ele se considera muçulmano. "Não quero me dissociar do islamismo. Ele faz parte da minha identidade".
Suas obras geraram críticas e reações negativas. Seu estilo foi execrado e considerado indisciplinado, como se tivesse sido ditado por alguém. Há quem diga que é justamente a crueza de seus textos que o torna autêntico e comovente.
Taïa confessa que sempre quis ser diretor. Tornou-se escritor por acidente, depois de registrar seus pensamentos e experiências em um diário para aprender francês.
Hoje mantém um bom relacionamento com a maioria dos parentes, embora o irmão mais velho continue afastado. Logo depois de se assumir gay, a mãe morreu. Atualmente mantém uma relação cordial com as irmãs.
Apesar disso, Taïa ainda acha muito difícil voltar para a terra natal. "Não posso falar com eles. Sou só um ser humano e sei que eles têm vergonha de mim. Sempre achei isso. Não é que eu queira que tenham orgulho. Sei que eles não têm."