Mais de 900
pessoas foram presas na China por vender carne falsa e contaminada, no mais
recente escândalo alimentar do país.
Segundo a mídia
estatal, fiscais de vigilância sanitária registraram cerca de 400 ocorrências
de carne imprópria para o consumo e confiscaram 20 mil toneladas.
Numa apreensão,
os suspeitos diziam vender carne bovina e de carneiro, mas o produto era feito de
restos de raposa, marta (mamífero aparentado do furão comum no país) e ratos,
misturados com produtos químicos.
Houve ainda
casos de carne estragada com conservantes e água injetada, para aumentar o
peso, porcos doentes e frangos com químicos venenosos, disse o Ministério de
Segurança Pública.
"Devido à
tentação de aumentar os lucros e às falhas na fiscalização, os crimes de
segurança alimentar continuam graves", disse ao diário estatal "China
Daily" o assessor de imprensa do ministério, Zhang Hongqiang.
O resultado
dessas inspeções gera nova onda de desconfiança sobre a qualidade dos alimentos
no país. Sem falar na drástica queda nas vendas de frango e pato nos últimos
meses, devido a um novo surto de gripe aviária que já matou 27 pessoas.
Temendo instabilidade
social, o governo tem intensificado as operações de vigilância sanitária.
Quem vive na
China se habitou com histórias de revirar o estômago: de óleo de esgoto
reaproveitado em restaurantes a melancias que explodem por excesso de produtos
químicos.
Em março,
milhares de porcos mortos surgiram boiando em estado de decomposição num rio
perto de Xangai, supostamente lançados por criadores que detectaram doenças nos
animais.
A pressão sobre
o governo aumentou nos últimos anos, sobretudo desde que pelo menos seis
crianças morreram e milhares ficaram doentes em 2008, após consumir leite em pó
com melamina, substância usada para adulterar o nível de proteína.
Segundo o
Ministério da Saúde, 146 pessoas morreram por intoxicação alimentar no país no
ano passado --alta de 6% em relação a 2011.
Diante do
controle do governo sobre a circulação de informação, a suspeita é que muitos
outros escândalos sejam acobertados.
Num dos únicos
foros de livre expressão do país, o microblog Weibo (versão chinesa do Twitter),
o caso mais recente gerou centenas de comentários, muitos ensinando a
diferenciar entre carne de rato e de carneiro.
A maioria deles
manifestava revolta: "Leite contaminado por melamina, óleo de esgoto,
porco com água injetada, carneiro feito de ratos...Faltam moral e consciência
aos comerciantes chineses", disse o usuário identificado como Zhenjia20.

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